Trago aqui neste espaço uma reflexão feita pelo advogado Adriano Soares - um dos renomados nomes do Direito em Alagoas e no Brasil - em relação às estratégias de defesa adotadas pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT).

Lula foi trazido para o epicentro do escândalo dos abalos sísmicos do chão político do país. O ex-presidente - em que pese sempre ter sido apontado em investigações, nunca passou de citações em delações, testemunha, dentre outras posições - surge como alvo de uma investigação em função de seu patrimônio.

As acusações são de ocultação de patrimônio. E este pode ser o fio a ser puxado no novelo que venha a comprometer o ex-presidente de vez com tudo que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Dentro deste “tudo”, a Operação Lava Jato. 

Lula é apontado como proprietário de um triplex de luxo e de um sítio onde a família dos Lula da Silva passavam os “dias de descanso”. Já se contabilizou - inclusive - as visitas aos sítios (111) e a frequência com que Lula aparecia por lá não é a de um mero visitante. Todavia, as investigações seguem. 

Adriano Soares - que tem feito, em suas redes sociais, diversas análises, no campo do Direito - sobre os andamentos da Operação Lava Jato, traz uma reflexão com a qual concordo. Um apontamento que faz sentido, independente da culpabilidade ou não de Luis Inácio Lula da Silva.

Ora, quem pesquisar na imprensa vai ver que desde 2011 o sítio em questão (de Atibaia) é citado como sendo de Lula. O ex-presidente nunca se preocupou em afirmar o contrário. Hoje diz que não se responsabiliza pelo que foi escrito em passado recente.

Creio que aqueles que - formalmente - aparecem como donos da propriedade devem ser chamados para dar explicações. Afinal, a quem pertence? Se não tem dono, uma fatia de terra considerável a ser observada pelos movimentos sociais da reforma agrária.  

Outro ponto são as explicações para o triplex. Quanto mais mexe, mais fica difícil para Lula. Adriano Soares não entra nestes detalhes que aqui expus, mas crava: “as várias linhas de defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva mostram que estão batendo cabeça”.

Soares avalia que é uma pena que isto ocorra. Eu apenas digo: uma pena para Lula. Talvez não para o país. “Uma coisa primária é que não se apresenta defesa antes de se saber o conteúdo completo da acusação e as provas coligidas”. 

Eis o que o Instituto Lula vem fazendo. “Porque o que normalmente tem acontecido é o seguinte: acusam publicamente com notícias pela metade, atraindo o acusado para uma armadilha. O acusado nega o fato por desconhecer que quem acusou já tem elementos na algibeira. Aí a defesa começa a fazer recuos ou ajustes públicos, dando a sensação que está mentindo ou se desdizendo”.

Vejam que é o que ocorreu em relação às explicações sobre o contrato envolvendo o triplex.

“Infelizmente, Lula está sendo defendido com uma estratégia suicida. Estão fazendo política, não exercício de atuação jurídica”. Eu só indago: infelizmente para quem? Creio que os brasileiros - ao menos a maioria e não aqueles que possuem fã-clube de políticos de qualquer espécie - querem a verdade. Se a verdade for uma infelicidade para Lula, paciência. 

Não há melhor desinfetante que a luz do sol. 

Soares ainda complementa: “Na prática, começa a ser destroçada a linha sustentada ingênua e precipitadamente pela defesa. Pior do que o desgaste político, há uma erosão de substância jurídica impressionante”.

Aguardemos os fatos se desdobrarem…

Estou no twitter: @lulavilar