A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT/MS), líder do governo no Senado, repercutiu na Assembleia Legislativa durante a sessão desta quinta-feira, 26, quando o deputado Galba Novaes (PDT) defendeu a história de vida do parlamentar acusado de obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
Novaes destacou que o senador sempre foi um cidadão “presente, inteligente e com um comportamento decente”. “Cometeu uma falha e agora um monte de gente joga pedra... Mas temos que olhar pelo retrovisor e ver a importância que ele teve. Mesmo tendo que pagar pelo erro, não podemos esquecer a vida que ele teve como parlamentar”, disse, se referindo a Delcídio.
“Quem de nós não está passível de cometer um erro? Podemos passar a vida inteira fazendo o bem, mas quando você erra, parece que apaga tudo o que você fez de bom”, acrescentou, em outro momento do pronunciamento.
O deputado entrou no assunto ao defender um Projeto de Lei, de sua autoria, instituindo o voto aberto na Casa de Tavares Bastos. “Ontem, se tivesse sido secreto o voto, talvez o placar não fosse aquele. Mas, a sociedade quer saber como votam aqueles que elegeram. Seria importante darmos exemplo ao País, a Assembleia de Alagoas ser a primeira do País a instituir o voto aberto em todas as votações”, frisou.
Cassação
Em aparte, Antonio Albuquerque (PRTB), classificou o dia de ontem como “de muito pesar para as instituições do País” e defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ter suspendido a prisão e encaminhado Delcídio ao Conselho de Ética do Senado para que ele respondesse “pelo comportamento incompatível com o exercício do cargo”.
“A prisão não deveria acontecer. Não discuto o mérito da culpa, mas a manutenção do regime democrático de direito. O Senado Federal tinha obrigação de encaminhar o senador ao Conselho de Ética e cassar seu mandato, e estaria resguardada a independência do legislativo do País”, afirmou.
Albuquerque frisou, em vários momentos, a desaprovação ao desvio de conduta do parlamentar que, segundo ele, "ao que parece em um momento de infortúnio, incorreu em vários crimes indefensáveis”, mas argumentou que, independente disso, cabia ao Senado punir o infrator.
Ao retomar a palavra, Galba Novaes discordou do colega e disse que, ontem, o STF agiu rigorosamente de acordo com a lei aprovada pelo próprio Congresso Nacional.
