Nas duas gestões do ex-prefeito de Maceió, Cícero Almeida, foi Mozart Amaral o tocador de todas as grandes obras. Abriu avenidas, ligou bairros, construiu viadutos, asfaltou ruas, enfim. Montado nesse prestígio foi citado e dado como certo que seria o sucessor de Almeida, inclusive pela grande proximidade com o senador Renan Calheiros.
Mas não foi. Acabou saindo como vice de Ronaldo Lessa contra Rui Palmeira. Nessa época, era chamado - em tom de brincadeira, claro, mas que revelava o reconhecimento – de “a Dilma de Almeida”, numa clara comparação a indicação da ex-ministra para suceder o ex-presidente Lula e dar continuidade as marcantes obras de um governo francamente aprovado pela população.
Mas, por questões das mais variadas, dentro de um acordo político acabou sendo indicado para ser o vice na chapa de Ronaldo Lessa. Foram derrotados por Rui Palmeira.
Bom, como em política nada acontece por acaso, eis que Mozart Amaral retorna no governo do filho do amigo e aliado Renan Calheiros como secretário de Transportes e Desenvolvimento e presidente do comitê que vai gerir as ambiciosas obras, anunciadas pelo governador Renan Filho, de esgotamento sanitário em Maceió e em mais 26 municípios. O investimento é de quase R 2 bilhões. Os recursos sairão dos cofres do estado, governo federal e em Parcerias Público Privadas (PPPs).
Ou seja, Mozart terá grande visibilidade e já é visto como uma carta no intricado baralho político manuseado pelo senador Renan visando a disputa em Maceió e, principalmente, a sua reeleição em 2018. Como a decisão do PMDB sobre se terá candidato em Maceió e se será ou não oposição ao prefeito Rui Palmeira só será tomada a partir de março do ano que vem, Mozart vai tocando obras e construindo um discurso.
Da mesma forma que o projeto de esgotamento, aliada ao seu passado de tocador de obras na capital, possibilita discurso para o presente e para o futuro da administração estadual.
Ou seja, tem muita gente no meio político apostando que os Calheiros, de maneira inteligente, moveram algumas peças.
Em política nada é por acaso, nunca.