A medida do Governo Federal sobre suspensão de concurso público não atinge os certames já autorizados, segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. No mercado de cursos preparatórios, a medida não foi vista como novidade uma vez que o mesmo corte foi anunciado em anos anteriores como forma de promover economia orçamentária. Coordenadores de cursos em Maceió não acreditam em impacto com medida.
O diretor de cursinho preparatório, Robson Calixto, garante que o anúncio feito pelo governo federal provoca um impacto de imediato para o candidato que vem dedicando horas de estudos para conseguir uma vaga no serviço público, mas não estende com efeito prolongado uma vez que a medida não atinge a esfera de concursos municipais, estaduais e também estatais.
Para o diretor, o anúncio da suspensão causa um efeito mais negativo para imagem do governo do que para as empresas que trabalham no ramo. “Lógico que toda propaganda negativa não é boa, mas com a manutenção dos concursos estaduais e municipais, essa suspensão dos concursos federais não traz tanto impacto, pois eles oferecem poucas vagas”, colocou Calixto.
Segundo ele, coloca a suspensão de concurso no “bolo de cortes” foi uma forma de apresentar à sociedade que o governo vem se esforçando para realizar uma economia maior de seus gastos e “isso inclui até mesmo dizer que não irá contratar mais ninguém através de concurso por enquanto”.
“O corte anunciado com a suspensão dos concursos é mínimo diante da dívida do governo previsto no orçamento. Quem realmente se dedica para passar em um concurso deve continuar oito horas por dia estudando e não esperando para se dedicar apenas quando o edital é anunciado”, completou ele.
Para suspender os concursos, o governo terá de encaminhar ao Congresso mudanças nos projetos de Lei de Diretrizes Orçamentárias e de Lei Orçamentária Anual. A economia prevista
pelo governo com a não realização de novos concursos em 2016 é de quase R$ 1,5 bilhões. Esse corte, no entanto, não atinge concursos já autorizados, segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Concorrência deve aumentar, a partir das limitações impostas
A coordenadora Mônica Camerino afirma que a mudança pode ocorrer é o aumento da concorrência dos certames já previstos para esse ano. Como exemplo ela citou o concurso do INSS, com edital previsto para dezembro. “Todo início de governo que precisa ter corte nos gastos, a suspensão de concurso sempre entra, mas nós temos alguns concursos autorizados, como é o caso do INSS que não houver pode provocar um colapso no órgão pois tem mais de 10 mil pessoas”, acrescentou a coordenadora.
Mônica recorda que essa mesma medida foi adotado em anos anteriores, como em 2008 e 2011, mas os anos seguintes apresentaram o maior número de concursos abertos. Para ela a suspensão é temporária e totalmente reversível, pois o um funcionário não pode ingressar o serviço público sem concurso.
“O número de concorrência vai aumentar muito, pois as pessoas vão em busca do que estão na mão. É somente o primeiro impacto mesmo, pois temos aqui em Alagoas temos a previsão de abertura do Tribunal de Justiça, no próximo ano tem a previsão de ter para governo e prefeito”, comentou Mônica.
Para quem está estudando a proposta do governo foi recebida como surpresa. “Recebi com surpresa o anúncio da suspensão dos concursos federais. Afinal de contas, o concurseiro estuda muito, comparado a carga horária de um emprego, ou maior, às vezes. Abdicamos até, temporariamente, de lazer, almejando ser aprovado. Com a notícia da suspensão muitos concurseiros se desmotivaram. Eu, particularmente, encaro por outra perspectiva: prefiro ver que ganhamos mais um tempinho para a preparação. Além disso, atualmente estou me preparando para concursos que não foram afetados com tais medidas do Governo Federal”, relatou Paulo Costa.
Concursos mantidos no serviço público federal
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
- Agência Nacional de Aviação Civil (Anac);
- Agência Nacional de Saúde (ANS);
- Agência Nacional de Petróleo (ANP);
- Fundação Nacional do Índio (Funai);
- Ministério das Relações Exteriores (MRE);
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
