Nem o líder do PT na Assembleia Legislativa (ALE), deputado Ronaldo Medeiros, poupou críticas ao pacote de medidas econômicas anunciado ontem (14) pelo governo federal. O assunto repercutiu nos bastidores do parlamento alagoano na tarde desta terça-feira, 15. 

"Um desastre". Foi dessa forma que Medeiros classificou o pacote que engloba congelamento de salários, a suspensão de concursos públicos, cortes em programas sociais e o retorno da CPMF. "O pacote nem agrada aos trabalhadores nem aos empresários e vem seguindo uma lógica amadora, anunciando medidas a conta-gotas e antes de discutir com o Congresso", afirmou o parlamentar em entrevista à imprensa antes do início da sessão ordinária.

Sobre o congelamento de salários e a suspensão de concursos, Medeiros citou como exemplo a carência de pessoal existente na Perícia Médica do INSS, órgão do qual é servidor efetivo. "A perícia só tem vaga para o próximo ano, independente da greve. Como é possível deixar um trabalhador seis meses sem receber do INSS e da empresa?", questionou, frisando: "Não se pode congelar salário de servidor público de jeito nenhum".

Em relação a recriação da CPMF, Medeiros disse que concorda se os recursos forem utilizados em áreas que realmente necessitam.

O deputado Pastor João Luiz (DEM) considerou o pacote "uma loucura": "Quem vai pagar é o pobre, que precisa de movimentação bancária para tudo: aposentadoria, salário, benefícios... Ela (Dilma) fez um pacote que corta do governo um pedacinho e da população 80%... A Febraban é a entidade que ganha mais dinheiro no Brasil e, são, novamente, os bancos e banqueiros que vão ganhar dinheiro", analisou. O parlamentar disse acreditar que a volta do tributo não será aprovada na Câmara dos Deputados.

João Luiz também não descartou a adoção de medidas ainda mais indigestas  pelo governo federal na busca por manter um projeto político que, na avaliação dele, já morreu: "O que existe hoje é uma tentativa de recuperar ma coisa perdida. Pode se esperar dela (Dilma) e do ministro Joaquim Levy qualquer reação para arrumar dinheiro, para tampar o furo".

O deputado Bruno Toledo (PSDB) disse que até entenderia a necessidade da recriação da CPMF no cenário atual, mas vinda da presidente Dilma Rousseff (PT), "a causadora dessa crise que levou o País à falência", a medida não possuía o menor respaldo e credibilidade. "A presidente não tem mais a condição política de conduzir o País. Esse pacote não foi surpresa. Surpresa maior é a arrogância do governo federal de brincar com o povo brasileiro", desabafou.