Durante pronunciamento em plenário na tarde desta segunda-feira, 31, o senador Fernando Collor (PTB) apresentou 19 documentos que, segundo ele, são provas contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Collor disse que o material revela que Janot mentiu quando foi sabatinado para a recondução ao cargo ocorrida na quarta-feira passada.
Segundo o senador, Janot não só faltou com a verdade em algumas respostas, como também tangenciou em outras e deixou de responder a algumas das perguntas que lhe foram feitas durante a sabatina na CCJ, com “cara de paisagem”: “Mentiu o sr. Janot perante a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Mentiu o sr. Janot perante o Senado da República, os seus integrantes e, pior, mentiu perante a nação brasileira. Desrespeitou as nossas instituições”, afirmou.
Entre os vários pontos questionados por Collor está o caso da empresa Orteng, na qual Janot teria atuado como advogado cumulativamente com o cargo de subprocurador-geral da República. Janot teria atuado em ação contra empresa com participação de capital estatal, ou seja, contra a União. Para o senador, as evasivas do procurador-geral deixaram o ponto em aberto na sabatina.
Collor também acusou Janot de ter fugido da resposta a questionamento sobre a falta de investigação, pelo Ministério Público, das sociedades de propósitos específicos (SPEs) em ação no Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o senador, a falta de manifestação, apesar da solicitação do TCU para que Janot se manifestasse sobre o assunto, pode ter relação com o fato de a Orteng ser a principal sócia nas SPEs.
“E o sr. Janot, será que continua representando, ainda que ocultamente, os interesses da Orteng, mesmo sendo procurador-geral da República? Sobre isso ele também deu uma, digamos, de João sem braço”, disse.
Outro ponto da sabatina que não foi esclarecido por Janot, segundo Collor, é a denúncia de que ele teria abrigado dois estelionatários em sua casa em Angra dos Reis (RJ). Os dois, disse Collor, eram procurados pela polícia internacional, a Interpol, e um deles era irmão de Janot.
Collor também citou casos de possíveis irregularidades em contratações da Procuradoria-Geral da República (PGR). As contratações são de Raul Pilati Rodrigues, que trabalhou como diretor da Secretaria de Comunicação Social da PGR, e de um cerimonialista.
O senador também acusa o procurador-geral de ter mentido sobre o aluguel de uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, em contrato sem licitação; sobre a autoria dos vazamentos de informações sob segredo de justiça; e sobre suas intenções políticas. Collor mostrou uma foto de Janot com um cartaz em que era elogiado, que classificou como mais uma prova.
Outros pontos
Segundo o senador, outros questionamentos, como a existência de um serviço de inteligência dentro do Ministério Público Federal conhecido por “Abinzinha”, em referência à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), não puderam ser feitos durante a sabatina por falta de tempo. Apesar de o tempo da sabatina não permitir o esclarecimento dos fatos e de a mídia ser, na maioria das vezes, parcial, na visão de Collor, a verdade vai ser revelada “de forma clara e incontestável aos olhos de todos”.
“Ele ainda deve muitos esclarecimentos e, tenho certeza, não vai demorar para que a população brasileira e a grande mídia percebam que o procurador-geral da República está longe, muito longe, a anos-luz de ser a probidade em pessoa”, finalizou.
