Durante a acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ocorrida na terça-feira, 25, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura desvios de recursos públicos na estatal, o clima ficou tenso quando o deputado federal João Henrique Caldas (SDD) perguntou a Youssef sobre a denúncia de que o doleiro estaria sendo intimidado por um membro da CPI.

Ao ser questionado por JHC se o deputado “intimidador” estava presente na Comissão, Youssef respondeu positivamente: “Sim. Ele está”, afirmou, acrescentando que o referido parlamentar não estava ali para investigar os assuntos da Petrobras, mas para fazer insinuações e intimidações “a respeito da minha intimidade, da minha família”.

Youssef prosseguiu afirmando que compareceu a CPI com o objetivo de esclarecer assuntos referentes às operações feitas pela Petrobras e para colaborar com a verdade e “não para contar uma mentira ou incriminar alguém que não esteja realmente envolvido no processo que eu participei. É lamentável isso. É só o que eu posso dizer”, frisou, lembrando que, por essa razão, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de ficar em silêncio.

JHC considerou grave a denúncia feita durante a acareação e disse que a CPI tem o dever de apurar e se pronunciar acerca das declarações do doleiro. "Os parlamentares que aqui estão na CPI fazendo um trabalho sério não podem correr o risco de serem apontados na rua como deputados que intimidaram quem quer que seja. Essa Casa tem que se manifestar para não colocar em xeque a credibilidade da CPI”, cobrou o deputado federal.

Durante a acareação, Youssef terminou abrindo mão do silêncio ao apontar o deputado Celso Pansera (PMDB/RJ) como o parlamentar da CPI da Petrobras que o está intimidando. O deputado reagiu dizendo que se sentia ameaçado “por um bandido que está condenado” e que a CPI tinha que tomar alguma atitude em defesa de sua vida.