A coisa pegou no Palácio do Planalto.

A devassa nas contas da campanha de reeleição da presidente Dilma por solicitação do ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral, não é uma ação rotineira da Justiça Eleitoral.

Ao contrário.

Coloca Dilma no olho do furacão da Lava Jato.

Gilmar detectou indícios de que a campanha de Dilma em 2014 foi abastecida com dinheiro da corrupção da Petrobras.

Nessa sexta-feira, 21, o ministro recomendou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e à Polícia Federal, a abertura de investigação criminal.  A suspeita de Gilmar é que tenha havido lavagem de dinheiro e falsidade ideológica nas doações financeiras à reeleição da presidente Dilma.

Ele também determinou o envio das informações à Corregedoria Eleitoral, para que o órgão examine se há o mesmo tipo de ilegalidade na prestação de contas do PT.

As contas da campanha de Dilma foram julgadas e aprovadas com ressalvas no fim do ano passado, logo após a eleição.

O que diz Gilmar Mendes, relator da prestação de contas da campanha da presidente Dilma Rousseff:

"O dinheiro recebido pelas empresas nos contratos mantidos com a Petrobras teria sido, supostamente, devolvido em forma de propina ao PT, travestida de doação de campanha, entregue diretamente ao seu tesoureiro, ou oculta por meio de financiamento de publicidade. Assim, ao que parece, havia, supostamente, entrada ilegal de recursos públicos e saída de dinheiro da campanha em forma de gastos mascarados".

"Há vários indicativos que podem ser obtidos com o cruzamento das informações contidas nestes autos – notícias veiculadas na imprensa e documentos judiciais não sigilosos da operação policial denominada Lava Jato – de que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi indiretamente financiado pela sociedade de economia mista federal Petrobras."

"Não bastasse o suposto recebimento pelo partido e pela candidata de dinheiro de propina em forma de doação eleitoral, há despesas contabilizadas na prestação de contas da candidata de duvidosa consistência. A candidata despendeu grandes valores em contratos com fornecedores com incerta capacidade de cumprir ou entregar os respectivos objetos.”

"Os elementos conhecidos até agora indicariam, em tese, mais de uma forma de entrada de recurso ilícito – como doação legal de campanha, mas também diretamente como doação em dinheiro ao tesoureiro do partido”.

Em nota, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, coordenador financeiro da campanha eleitoral de Dilma no ano passado, afirmou que as contas da presidente foram aprovadas por unanimidade:

"Todas as contribuições e despesas da campanha de 2014 foram apresentadas ao TSE, que, após rigorosa sindicância, aprovou as contas por unanimidade”.

As contas foram aprovadas, mas com ressalvas. E o processo foi mantido aberto para “averiguação de eventuais irregularidades”.

O resultado está aí, na boca e na caneta do ministro Gilmar Mendes.

(Com informações do G1 e O Globo)