O deputado Pastor João Luiz (DEM) usou a tribuna da Assembleia Legislativa (ALE) na tarde desta quarta-feira, 19, para denunciar que um paciente psiquiátrico que recebeu alta compulsoriamente da Clínica de Repouso Dr. José Lopes tentou assassinar o pai idoso, poucos dias depois de deixar a instituição psiquiátrica.
O parlamentar lembrou que há alguns meses trouxe ao plenário a preocupação com os problemas que a redução do atendimento e o fechamento das clínicas de repouso na capital causariam. João Luiz relatou que, mesmo sabendo do comportamento violento do filho, o idoso – que sofre de câncer no pescoço – teve que recebê-lo em casa.
“No sábado passado, esse rapaz surtou, foi para a cozinha pegar uma faca para matar o pai, que tentou se defender e está internado no HGE com vários ossos do corpo quebrados. Não é comum, não é normal você pegar um paciente que perdeu totalmente o juízo e colocar dentro de uma casa com um pai idoso, família, crianças...”, lamentou João Luiz.
O deputado alertou ainda que esse pode ser apenas o primeiro caso, já que, segundo ele, mais de cem pacientes em condições parecidas receberam alta. “A responsabilidade, segundo a Constituição Federal, é do Estado, a quem cabe o desenvolvimento das políticas de saúde mental. Temos um jovem sem referência nenhuma na rua que quase assassinou o pai. Quem vai cuidar do senhor Fernando, que foi atacado pelo filho, que não tem culpa, porque foi abandonado pela saúde pública? Mais uma vez trago a denúncia e agora um fato que pode se repetir, porque pacientes estão nas ruas, sem tratamento e sem medicamento”, destacou.
Catástrofe
Na ocasião, a presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes Mentais do Estado de Alagoas, Marluce Souza de Melo, alertou para a possibilidade de uma catástrofe caso fosse dada alta aos pacientes que necessitavam de internação.
O caso ganhou repercussão depois que a direção da Clínica José Lopes comunicou o encerramento do atendimento pelo SUS e anunciou que poderia fechar as portas devido a dificuldades financeiras.
Usuário de drogas
Durante o pronunciamento, João Luiz repudiou ainda a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) descriminalizar o uso de drogas para consumo pessoal no País: “Se a droga for legalizada, o usuário vai comprar aonde? Em shopping? Se libera a droga, libera também o traficante? O desejo da liberação fortalece ainda mais o tráfico”.
Ao citar o caso de um empresário e piloto de avião que residia na Ponta Verde e se transformou em morador de rua depois que se viciou em crack, o Pastor se solidarizou com aqueles que conviveram e convivem com viciados e criticou a intervenção do STF no assunto: “Não entendo mais para que existe Câmara e Senado, por que quem está decidindo tudo é o Supremo. Não sei mais qual o papel do legislativo”.
