O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, chegou nesta sexta-feira (14) a Alagoas exibindo a Constituição Federal como arma contra a incitação à violência promovida pelo presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. Mas não reagiu apenas contra a passividade da presidente Dilma Rousseff ao discurso violento do sindicalista, feito em pleno Palácio do Planalto. Também condenou a postura de “bombeiro governista” assumida pelo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB). E disse com exclusividade ao Blog que os alagoanos não podem ser alvo de insultos e preconceito por conta da implicação dos líderes políticos alagoanos com o esquema do petrolão.

Após empossar o ex-governador Teotonio Vilela Filho como presidente estadual do PSDB em Alagoas e finalizar o evento de lançamento nacional de campanha de filiação tucana, Aécio respondeu ao CadaMinuto sobre as reações preconceituosas que os alagoanos voltaram a sofrer nas redes sociais e comentários postados nas agências de notícias, por ocasião da cobertura das investigações dos alagoanos suspeitos de participação no esquema do petrolão, principalmente quando da busca e apreensão de bens do ex-presidente Fernando Collor (PTB), tema da capa da edição desta sexta-feira do CadaMinuto Press.

“É absolutamente inaceitável que haja este tipo de preconceito. Cada cidadão responde pelos seus atos, independente de onde tenham nascido. Não existe hoje uma questão regional relativa às denúncias de corrupção. O que existem são investigações que têm que avançar e cada um responde por elas. Eu, por exemplo, tenho um enorme orgulho de saber que Alagoas é terra de muitos homens públicos respeitadíssimos. Estou aqui ao lado de dois deles, o governador Teotonio e o prefeito Rui Palmeira. Não há que haver uma discriminação ao Estado, em razões de acusações a um de seus filhos”

Ouça o comentário feito por Aécio com exclusividade para o Blog: 

 

Agenda para quê e para quem?

O senador mineiro ainda foi questionado pelo Blog, durante coletiva à imprensa, sobre a postura de Renan Calheiros que fez campanha pela reeleição de Dilma, flertou com a oposição no primeiro semestre de 2015 e agora passou de crítico ferrenho a apaziguador da crise política entre o governo e o Congresso. Em sua resposta, o candidato derrotado em 2014 por Dilma criticou a forma repentina e não discutida como surgiram as propostas da chamada “Agenda Brasil” contra a crise.

Para Aécio, seria muito mais adequado, se Renan, em entendimento com o presidente da Câmara, com a oposição e com a base aliada do governo apresentasse ao país um conjunto, até mesmo mais modesto de medidas, mas que efetivamente tivessem condições de aprovação. O presidente nacional do PSDB afirmou que seu partido está discutindo e avaliando cada uma das propostas, mas afirmou que é preciso ter muito cuidado para que tais propostas de Renan não criem uma expectativa, talvez, com objetivos alheios às soluções necessárias, para, depois, gerar uma enorme frustração.

“O que nos surpreendeu no anúncio dessas propostas – e não faço questionamento ao mérito de algumas delas – é que elas não passaram por aquilo que é essencial e natural da atividade parlamentar: uma negociação, uma discussão. Eu próprio estive, poucos dias antes, com outros líderes do PSDB, reunido com o presidente do Senado, menos de uma semana antes do anúncio dessas propostas e não tivemos dele qualquer sinal de que estaria apresentando ao país um conjunto de ideias, para que nós pudéssemos apresentar as nossas contribuições. Então, por isso, por não ter sido algo discutido previamente, eu vejo com enormes reservas, até porque, o presidente da Câmara já disse, isso não passou por uma discussão com a outra casa. Portanto, temos que ter os pés no chão e não há como terceirizar a responsabilidade pela crise que hoje assola o Brasil, tira os empregos dos trabalhadores, a comida da mesa, com a inflação, com os juros na estratosfera, pune aqueles que se endividaram, estimulados por esse governo”, condenou Aécio.

Ao criticar a falta de debate sobre as propostas do “bombeiro governista”, Aécio ressaltou que muitas dessas propostas sequer tiveram consenso no partido que hoje governa o Brasil e naqueles que o apoiam; muito menos na oposição, que não foi chamada para dar a sua contribuição. E considerou que a frustração pode ser o destino desse tipo de ação de marketing para favorecer “uma presidente sitiada”, que passou os últimos dias participando de eventos, segundo Aécio, com plateias controladas e até com despesas pagas pelo Estado, a exemplo da Marcha das Margaridas, patrocinada pela Caixa, BNDES e Banco do Brasil.

“Temo muito essas ações midiáticas, que geram uma determinada expectativa, que depois têm como consequência uma enorme frustração. Seria muito mais adequado e uma contribuição muito mais efetiva ao país que antes de entregar um conjunto de propostas sem qualquer discussão prévia, que o presidente do Senado estivesse disposto a discutir essa pauta, por exemplo, com o seu companheiro de partido, o presidente da Câmara dos Deputados. Vivemos em um sistema bicameral. Essas propostas precisarão, para ter efeito, ser aprovadas pelas duas casas. Senão se transforma apenas em um documento panfletário”, concluiu o senador mineiro.

O senador mineiro também comentou sobre a liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que definiu que os balanços anuais das gestões dos presidentes da República devem ser analisados em sessão conjunta do Congresso, comandado pelo "novo ex-aliado" do Planalto, na elaboração de pacote da Agenda Brasil.

Veja os principais trechos da entrevista:
 

 

Clique aqui e assista ao discurso em que Aécio diz que crise causada por Dilma e o PT resgatou a miséria.