Aos senadores da base aliada de seu governo, ontem à noite no Palácio da Alvorada, em Brasília, a presidente Dilma deitou elogios ao regime militar no Brasil.

O mesmo regime que a perseguiu, prendeu e torturou.

Dilma chegou a comparar a ditadura militar do Brasil com a ditadura militar da Argentina e usou a colega presidente Cristina Kirchner como testemunha:

“A Cristina Kirchner sempre me diz que os governos militares brasileiros sempre foram mais responsáveis que os militares argentinos, que só destruíram a democracia na Argentina, sem deixar um legado econômico. Os militares brasileiros tiveram essa preocupação com a parte econômica, a preocupação com a estabilização tributária foi instituída no tempo dos militares”.

Segundo Dilma, o regime militar merece a honra de ter instituído o código tributário para o país e deixado um legado econômico.

Também juntou os dois mandatos de FHC aos dois mandatos de Lula na presidência da República, como governos que “sempre se pautaram pela responsabilidade fiscal”.

Mas o eixo da questão que levou Dilma a se reunir com os senadores foi de fato para pedir que eles se tornem seus soldados na guerra travada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, contra ela.

Nessa pauta, entrou a defesa do ajuste fiscal de seu governo, e o apelo em favor do país ‘num momento de grave crise econômica’.

Apenas a presidente falou, praticamente um monólogo.

Os senadores esperavam mais, esperavam já iniciar nesse encontro, com direito a jantar, o diálogo prometido pelo governo.

O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, definiu a reunião, segundo o portal O Globo:

“Não digo que saio decepcionado do encontro. Num momento como esse nada é novidade, só preocupação. A presidente falou e encerrou. Ninguém mais discursou ou falou nada. E ela também não apresentou nada, de concreto. Nada, nada, nada!”.

Fora os elogios aos militares no governo, de fato, Dilma não falou nadinha de novo à sua base aliada.

A não ser, dizer pessoalmente que espera deles arma em punho para defender o seu governo de “pautas-bombas” que, por ventura, sejam detonadas no Congresso Nacional.

Coisa que, até então, era dita aos aliados por recados através do vice-presidente Michel Temer.

A propósito, no jantar foi servido carne de ovelha, carne de gado e salada.

(Com informações de O Globo)