Se no Congresso a sensação é de que a qualquer momento uma bomba pode explodir, o governador Renan Filho mostra-se confiante e diz não temer que as articulações atinjam Alagoas. Para ele, o fato de todos os parlamentares alagoanos, inclusive os da base governista, terem votado a favor da PEC que vincula os salários da Advocacia-Geral da União (AGU) ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), não deve afetar o relacionamento do estado com o governo federal para a obtenção de recursos.
Durante a assinatura de ordem se serviço para ampliação do Sistema Pratagy, na manhã desta quinta-feira (06), Renan criticou a queda de braço entre parlamentares e o governo e afirmou que é necessário pensar na população. “O posicionamento da bancada não influencia e creio que não haja corte em recursos. Independente de ser bancada de Alagoas ou de outro estado, é preciso pensar na população. Não dá para apagar o fogo jogando gasolina”, afirmou.
Durante a madrugada desta quinta, a Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno, por 445 votos a favor, 16 contrários e seis abstenções a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que vincula os salários da Advocacia-Geral da União (AGU) ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teto do funcionalismo público. De acordo com a PEC, o vencimento do nível mais alto dessas carreiras equivalerá a 90,25% do subsídio mensal dos ministros.
O substutivo aprovado também estende o benefício ás carreiras de delegados da Polícia Federal (PF) e Civil (PC), além de procuradores estaduais, do Distrito Federal e das Procuradorias Municipais de capitais e de cidades com mais de 500 mil habitantes. O item é o primeiro da chamada “pauta-bomba” que a Casa analisa. Segundo o ministério do Planejamento, Nelson Barbosa, o impacto fiscal de aprovação somente dessa PEC, incluindo os delegados, é de R$ 2,45 bilhões.
Sobre o caso, Renan Filho disse essa pauta preocupa os governos estaduais, já que iriam refletir em diminuição de recursos.
Sobre outra "pauta-bomba" que seria tratada na Assembleia Legislativa do Estado, uma vez que o tio do governador, Olavo Calheiros, teria levantado essa hipótese, o líder do executivo estadual afirmou desconhecer o fato. "Não fui comunicado de "pauta-bomba" e acho que não vai acontecer. Tenho um bom relacionamento com os deputados e não acredito nessa situação", afirmou.
Ordem de serviço
Com recursos oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 3, o governador assinou a ordem de serviço para a ampliação do sistema de abastecimento Pratagy-Meirim. A obra vai custar R$ 16 milhões e tem um prazo de 12 meses para a entrega.
Segundo o governador, a obra é importante para a parte alta da capital já que além de aumentar a oferta de água, vai garantir a geração de emprego e renda. “A obra vai dinamizar a economia da região. É uma água de qualidade que vai atender a uma população de 115 mil pessoas que residem no Tabuleiro e Cidade Universitária. Além de gerar empregos diretos e indiretos”, destacou.