Das propostas levadas a Brasília por Renan Filho (PMDB) para o encontro da última quinta-feira (30) com a presidente Dilma Rousseff, a de liberar empréstimos para Alagoas e outros estados é a mais conservadora do seu governo das mudanças. O governador peemedebista que pregou “fazer mais com menos” ao tomar posse em 1º de janeiro, viu que endividar o Estado é a única saída para garantir investimentos para Alagoas, neste início de governo que tem como contexto a crise econômica e as torneiras do Palácio do Planalto se fechando.

Mesmo investindo bastante no arrocho fiscal que atinge gastos da máquina pública e promove um cerco para fiscalização de empresas que atuam em Alagoas, o governador segue o mesmo rumo adotado pelo seu antecessor, Teotonio Vilela Filho (PSDB). Porém, Renan Filho tem destacado que vai investir no foco das necessidades do estado, ao criticar o fato de os empréstimos do governo tucano terem concentrado investimentos em estradas, em vez de obras para melhoria da educação, saúde, habitação e segurança.

Ao comentar o encontro com a presidente petista, Renan Filho disse que espera “que tudo isso venha num curto prazo, na velocidade que o povo quer”. Essa expectativa já havia sido exposta durante o único evento de campanha com a presença de Dilma em Alagoas, em 9 de outubro de 2014, no Benedito Bentes, quando Renan Filho obteve da então candidata à reeleição a promessa de um “olhar especial” para Alagoas.

Na última quinta-feira (3), Renan Filho também pediu a retomada do Programa Minha Casa, Minha Vida; plataforma de investimento que fez o governador eleito afirmar, no evento da campanha da candidata Dilma, que o governo petista zeraria o déficit habitacional do País, “começando por Alagoas”. Tanto não começou por aqui, como o programa também suspendeu recursos para as diversas obras no estado.

A outra pauta do governador e dos demais governadores presentes no encontro foi a continuidade das obras hídricas, cujo principal projeto alagoano, o Canal do Sertão, foi objeto da promessa de campanha de Dilma que garantiu a chegada do projeto até Arapiraca. Obra que também tem investimentos ameaçados pelo corte bilionário de investimentos neste ano de 2015.

Ao tomar posse, o governador Renan Filho foi beneficiado pelo o projeto que repactuou a forma de cobrança da dívida pública de Alagoas, que segundo relatório de gestão fiscal do primeiro quadrimestre de 2014 somava R$ 9,3 bilhões. Mas lembrou que “a equação perversa da dívida do Estado com a União não foi resolvida”. Afirmou que o “garrote não afrouxou no pescoço” e a redução no estoque da dívida não fez com que Alagoas deixasse de pagar um total de R$ 600 milhões por ano.

Como bem sabe Renan Filho, tal montante da “equação perversa”, que retira recursos de Alagoas para pagar uma dívida impagável, cresceu em virtude dos recentes empréstimos. E, se depender do contexto econômico e político, crescerá ainda mais na gestão peemedebista.

O empréstimo pelo qual Renan Filho argumenta seria de US$ 150 milhoes, junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Sua destinação é a implementação e execução do Projeto de Redução da Pobreza e Inclusão Produtiva do Estado de Alagoas. A aprovação da operação financeira foi oficializada em 2012. 

Seriam quase R$ 450 milhões dos recursos do novo empréstimo que deverá ser contraído em dólar para Alagoas. E entre os projetos contemplados estariam: a construção do Hospital Metropolitano, o desenvolvimento urbano para a região metropolitana de Maceió, a duplicação de Arapiraca a São Sebastião, para aproximar a região do Agreste à BR 101, a duplicação da rodovia da Barra de São Miguel até a BR-101, dentre outras obras estruturantes que poderiam ter sido realizadas com os empréstimos feitos por Vilela e que não foram.

Resta ao alagoano esperar um destino mais justo deste dinheiro, obtido à custa do risco de desequilíbrio das finanças e no orçamento, no incerto futuro de Alagoas.