Às vésperas da volta do recesso parlamentar, que termina formalmente neste sábado (1), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), publicou um texto em seu perfil no Facebook para falar sobre a volta às atividades da Casa e se esquivar da pauta bomba que tem armado para derrubar o ajuste fiscal do governo federal.
Desde o começo do ano, o pemedebista tem colocado votação temas que elevam o gasto público, como: o aumento de 78% do judiciário (vetado pela presidente, Dilma Rousseff), a correção pelo salário mínimo das aposentadorias acima do piso do INSS, o fim do fator previdenciário. O presidente da Câmara tem como atribuição conduzir as prioridades das votações da Casa, mas não pode votar.
Em uma espécie de explicação à opinião pública, sob o título de "#AVerdadeDosFatos por Eduardo Cunha", o deputado explica a lógica que tem adotado na condução das atividades parlamentares na casa legislativa.
"A tentativa de colocar nas minhas costas uma chamada pauta bomba para prejudicar as contas públicas não tem o menor sentido. A pauta divulgada é a mesma que estava remanescente do primeiro semestre, acrescida das prestações de contas dos governos anteriores. As medidas que geraram vetos do governo foram fruto de emendas à Medidas Provisórias que obtiveram maioria na Câmara e Senado, e gerou o veto."
A primeira pauta em votação do deputado que se autodenomina "inovador" e diz possuir "uma pauta progressista" foi a liberação de passagens para cônjuges de deputados, financiada pela Casa que comanda. Após polêmica e críticas da opinião pública, Cunha voltou atrás e cancelou o benefício que elevaria os gastos da Câmara em R$ 151 milhões. Ao recuar justificou: "Realmente, a repercussão foi muito negativa. Eu acho que não houve o procedimento correto sobre o que existia no passado. De qualquer forma, nós estamos sempre subordinados à vontade da opinião pública e, se nós fizemos efetivamente algo que a repercussão não está positiva, cabe a nós fazermos a 'mea culpa' e corrigirmos”, disse em março.
Cunha declarou no dia 17 de julho seu rompimento político com o governo Dilma Rousseff: "Saiba que o presidente da Câmara a partir de hoje é oposição." O deputado acusa o Planalto de ter articulado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incriminá-lo na Operação Lava Jato. Nesta quinta (16), o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo relatou à Justiça Federal do Paraná que Cunha lhe pediu propina de US$ 5 milhões. "Estou sendo sendo alvo de perseguição política."
Veja abaixo a íntegra do texto publicado hoje por Cunha:
"#AVerdadeDosFatos por Eduardo Cunha
Boa tarde a todos
A tentativa de colocar nas minhas costas uma chamada pauta bomba para prejudicar as contas públicas não tem o menor sentido. A pauta divulgada é a mesma que estava remanescente do primeiro semestre, acrescida das prestações de contas dos governos anteriores. As medidas que geraram vetos do governo foram fruto de emendas à Medidas Provisórias que obtiveram maioria na Câmara e Senado, e gerou o veto.
Além disso, a correção do FGTS nada tem a ver com as contas públicas, pois se trata dos saldos futuros dos depósitos do dinheiro dos trabalhadores. A correção do judiciário saiu de comissões, em caráter terminativo, sem qualquer recurso do governo para levar ao plenário. Isso poderia ter sido feito por apenas 52 deputados.
Além disso eu nem voto, e qualquer matéria que passa, só pode se tiver a maioria ou no caso de PEC quórum qualificado. A PEC da advocacia pública foi uma decisão do colégio de líderes a sua colocação em agosto. Aliás, todas as matérias são levadas antes ao colégio de líderes.
Tenho absoluta consciência do momento de crise econômica e sempre me pautei por posições contrárias ao aumento dos gastos públicos. Na Câmara, todas as propostas do ajuste fiscal foram aprovadas de forma célere.
E não é culpa do Congresso a paralisia da economia, a recessão, os juros elevados e a queda de arrecadação pela situação de descontrole. O governo não cortou gastos, só reduziu os investimentos e poderia ter reduzido ministérios e os cargos de confiança da sua máquina.
Mesmo que a economia disso não fosse tão significativa, o exemplo seria um importante sinal para a sociedade.
#EduardoCunha #CamaraIndependente #DemocraciaForte#CunhaPresidente"









