O deputado Rodrigo Cunha (PSDB) recebeu a imprensa em seu gabinete, na tarde desta quarta-feira, 29, onde fez um balanço do primeiro semestre na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e adiantou os projetos de lei de sua autoria que tramitarão na Casa a partir da próxima semana, como o que modifica as regras para a realização de concursos públicos. O tucano também falou sobre a relação com os colegas e avaliou os governos federal e estadual.
Cunha disse que, antes de assumir o mandato procurou estudar a fundo o Regimento Interno da ALE para, segundo ele, poder discutir em pé de igualdade com quem estava há 20 anos na Casa. “Precisamos saber o que está sendo votado, exigir a pauta com antecedência”, afirmou.
O deputado, inclusive, considerou a discussão onde teve papel protagonista, o voto aberto, um marco nesses primeiros meses de mandato: “Eu falei na tribuna que a Assembleia deveria dar o exemplo adotando o voto aberto e, dias depois, a justiça determinou o fim do escrutínio secreto. Eu só faço essas intervenções quando tenho embasamento, não estou em busca de holofotes, mas me preparei para não aceitar ser colocado para trás e para realizar um mandado pautado pela legalidade e pela transparência”.
Ao falar sobre alguns dos projetos apresentados por ele, citou o “Menos férias”, que reduz a folga dos parlamentares durante o ano. “Não é justo um parlamentar ter 92 dias de férias, enquanto o trabalhador comum tem 30 dias. Isso não é mais aceitável. O Congresso Nacional mudou isso, o País mudou e Alagoas fica para trás, mas se minha voz não for ouvida aqui dentro, lá fora ela é”, frisou, se referindo ao eco que encontra nas ruas e em suas redes sociais, onde calcula reunir 53 mil pessoas interligadas.
Transparência
“Tudo é exemplo. Fico confortável para cobrar transparência porque, desde o primeiro mês, coloco na internet as notas fiscais, os gastos do gabinete. Não falo que a Assembleia deve divulgar os salários, as lotações e a qualificação dos servidores por falar, mas porque eu fiz isso e não fiz para receber elogios. Fazer o que a lei pede deve ser o mínimo e não o máximo almejado”, afirmou o deputado ao ser questionado sobre as críticas, algumas oriundas dos próprios colegas, de que, em certos momentos, agia de forma demagógica ou midiática.
Ainda sobre o assunto, o parlamentar elogiou a criação do novo portal da Casa de Tavares Bastos, mas reforçou que a ferramenta ainda não atende os critérios da transparência. “Não é possível, por exemplo, saber o montante que cada servidor recebeu em um ano, o que revelaria casos como daqueles funcionários que receberam até R$ 700 mil em salários”, lembrou, se referindo a “lista de ouro” que veio a público depois que o então deputado João Henrique Caldas (SDD) obteve, na Justiça, acesso à folha de pagamento da ALE.
Durante a entrevista, Rodrigo Cunha lembrou que, uma de suas iniciativas ligadas à transparência, a abertura de seleção pública para preenchimento de cinco cargos comissionados, terá um desfecho nesta sexta-feira, 31, com a divulgação do resultado. Segundo ele, quase mil pessoas concorreram às vagas.
Mudanças em concursos
Entre os projetos que já foram protocolados e começam a tramitar a partir da próxima semana na Casa, Cunha destacou o que cria a Lei Geral de Concursos Públicos no âmbito estadual. O parlamentar defende que a matéria dará mais segurança aos candidatos, já que prevê, entre outros pontos, o fim do cadastro de reserva; a proibição da contratação de terceirizados enquanto houver aprovados nas vagas durante a vigência do concurso; filmagem da prova oral e prazo mínimo de 90 dias entre a publicação do edital e o início das provas.
Também há projetos como o que estabelece critérios para concessão de títulos de cidadão honorário; o que obriga os órgãos do Estado a realizarem seleções públicas para a contratação de estagiários e o projeto que cria um “chassi” para bicicletas, a fim de identificá-las em casos de roubos e furtos. O deputado contou que a sugestão para a proposição do projeto – que é similar ao que já vigora no Rio de Janeiro -, partiu de um internauta.
Governos estadual e federal
Avaliando também o primeiro semestre do governo do Estado, o deputado disse que, com sete meses de mandato, considera que o governador ainda não mostrou ao que veio e, em alguns casos, cometeu involuções.
“Percebo que houve atropelos, a exemplo do projeto do Passe Livre, e não noto evoluções. Pelo contrário, em várias ações houve rupturas com programas que eram de interesse social, como o da sopa e a cesta nutricional distribuída as gestantes”, afirmou, criticando ainda a política adotada em relação ao servidor público.
O governo federal também não escapou das críticas: “Vivemos uma crise econômica, social e ética, mas espero que essa descrença que as pessoas sentem hoje seja combustível para as próximas gerações se envolverem na política”, disse, se mostrando pessimista em relação ao futuro próximo.
“Ainda não estamos no fundo do poço. Segundo especialistas da área econômica, a inflação vai aumentar, a conta de energia vai ser cada vez mais sentida no bolso do consumidor, e a popularidade da presidente tende a cair mais, porque foi cometido um estelionato eleitoral. O sentimento geral é de enganação e ninguém gosta de ser enganado”, pontuou.
Sem unidade
Sobre a convivência com os colegas de partido na ALE, Rodrigo Cunha disse que os atritos do início do mandato foram contornados e que hoje existe uma maior interação, mas não há uma unidade na linha de pensamento. “Somos fortes se estivermos juntos. O PSDB era para estar dando ordens e hoje recebe ordens”, afirmou, exemplificando que deveria ser de pelo menos oito a participação do partido nas comissões da Casa, mas o número chega, no máximo, a cinco.
Rodrigo Cunha finalizou a entrevista um pouco mais otimista: “Não quero morar em outro estado, mas quero morar em outra Alagoas. Não há muitas pessoas fazendo o mal aqui, mas as que fazem, fazem um mal muito grande a muitos”.


