Assunto que ocupou por mais tempo o plenário da Câmara dos Deputados neste primeiro semestre, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 182/07, que trata da reforma política, deve ser concluída nesta terça-feira (14) sem entusiasmo de parlamentares. Para o deputado federal Marx Beltrão (PMDB-AL), os pontos aprovados não correspondem às expectativas da população.

O deputado avalia que faltou um amplo diálogo do tema antes de ser levado à apreciação. “Eu e a maioria dos brasileiros queríamos uma reforma política onde a sociedade fosse ouvida e atendida. Infelizmente não aconteceu da forma que gostaria”, declara.

Marx Beltrão argumenta, porém, que as novas regras devem trazer mais “transparência” ao processo eleitoral. “Houve mudanças significativas que vão melhorar as próximas eleições, para que sejam justas e que os eleitos realmente representem a vontade do povo”, afirma.

O parlamentar relata, por exemplo, que defendeu a coincidência dos pleitos municipais com as eleições de presidente, governador, deputados e senadores. “Infelizmente, a matéria da igualdade das eleições não passou, estava torcendo, votei a favor”, destaca. O parlamentar diz que o ideal seria que houvesse eleições a cada quatro ou cinco anos.

Fim da reeleição

Um dos temas polêmicos aprovados na reforma política, o fim da possibilidade de reeleição para cargos do Executivo, foi criticado também pelo deputado. “Fui contra, pois tive a oportunidade de ser prefeito, e reeleito, terminei minha gestão com mais de 90% de aprovação do povo de Coruripe (AL). Todo gestor precisa de mais tempo para que o trabalho seja feito”, diz.

Beltrão defende que o mandato de quatro ou cinco anos é curto para realizar obras estruturantes. “Nenhum prefeito consegue investir e fazer o saneamento de uma cidade em um mandato, pois o governo demora na

liberação dos recursos”, afirma. O deputado diz ainda que em áreas, como a educação, as metas demandam de períodos mais longos. “O país perde com o fim da reeleição, pois grande obras e projetos a longo prazo, muitos gestores podem deixar de fazer”, diz.