O senador Fernando Collor de Mello (PTB) disse, nesta terça-feira (14), na tribuna do Senado Federal, que o cumprimento de mandados de busca e apreensão executado pela Polícia Federal em suas residências e empresas, foi maldosamente orquestrada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ex-presidente voltou a afirmar que não prestou esclarecimentos, mas em todo tempo se colocou à disposição.
Collor ressaltou que não responde processo. O parlamentar classificou a ação como invasão de privacidade. Ele diz que houve truculência. “Todos os limites do Estado de Direito e constitucionais foram extrapolados. Fui humilhado”.
O senador relembrou que denunciou os abusos de passagens e diárias concedidas a Rodrigo Janot e aos integrantes do Ministério Público. “Além disso, ele está acobertando os crimes praticados por seu irmão, Rogério Janot, na Bélgica”.
Collor taxou ação da PF de invasiva. Ele reforçou que não ficará intimidado.
Operação Lava Jato
Agentes da Polícia Federal em Alagoas cumpriram mandados na sede da Organização Arnon de Melo, direcionados para investigação da Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção e pagamento de propina na execução de obras da Petrobras. As equipes chegaram na Organização logo no início da manhã desta terça-feira (14) e recolheram documentos.
Conforme apurou a reportagem do CadaMinuto, duas equipes da PF apreenderam documentos e computadores na presidência da Organização e também no setor de Recursos Humanos.
A Polícia Federal também esteve cumprindo mandados nas residências do diretor financeiro e Administrativo da TV Gazeta, afiliada a TV Globo. No imóvel do senador em Brasília os agentes recolherem mais documentação. Carros luxuosos foram apreendidos.
Questionado sobre o teor dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, o representante jurídico da OAM, Djalma Mello, se limitou a dizer que “são documentos da empresa”. “Estes são documentos da empresa. Só isso que eu tenho a falar. Esta é uma ação solicitada pela Polícia Federal. Os desdobramentos, os senhores [repórteres] podem obter através das autoridades competentes.”, finalizou.
Mais de 50 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para políticos com mandatos. Essa operação atinge além do Distrito Federal, os estados da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Fernando Collor é um dos políticos que consta na lista do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Janot, por conta de possível envolvimento com o esquema na Petrobras. Recentemente o parlamentar foi citado em uma delação premiada como o favorecido que recebeu R$ 20 milhões para manter seu apoio ao ex-presidente Lula. Nas informações prestadas pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, Collor teria emplacado o engenheiro José Zonis na diretoria de Operações e Logística da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras.
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Novamente, Collor também é associado ao empresário Pedro Paulo Leoni Ramos – ex-ministro do petebista e amigo pessoal do senador. Teria sido Pedro Paulo que procurou Ricardo Pessoa para oferece um pacote de R$ 650 milhões em contratos com a Petrobras. Ao se defender das acusações, Collor chamou a reportagem Veja de mentirosa e que as recentes supostas denúncias trazem personagens e fatos repetidos, alimentados “por um grupelho do Ministério Público que se mistura com os bandidos do folheto semanal Veja”.
Segundo ele, os fatos recentes mostram que esse é o mesmo cenário, o mesmo modus operandi, os mesmos atores, as mesmas instituições, as mesmas mentiras e, como sempre, o mesmo alvo.
Resposta
Na nota enviada à imprensa, Fernando Collor diz que a medida foi invasiva, arbitrária e flagrantemente desnecessária. Ele afirma que os fatos investigados datam de pelo menos mais de dois anos e a investigação já é conhecida desde o final do ano passado, e que ele jamais foi sequer chamado a prestar esclarecimentos.
Em outro trecho, Collor disse que se colocou à disposição da Polícia Federal para ser ouvido por duas vezes. “Medidas dessa ordem buscam apenas constranger o destinatário, alimentar o clima de terror e perseguição e, com isso, intimidar futuras testemunhas”, destacou.
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*colaborador
