Quando uma empresa ou instituição é alvo de escândalos, uma das primeiras medidas é tentar ao máximo impedir a exposição pública do momento constrangedor. Foi o contrário do que aconteceu na manhã desta terça-feira (14), quando a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão da Operação Lava Jato, na sede do grupo de comunicação mais poderoso de Alagoas. Imagens internas de policiais invadindo a Presidência da Organização Arnon de Mello (OAM), cuja TV Gazeta é filiada à Rede Globo, foram veiculadas quase que em tempo real no programa Bom Dia Brasil e na GloboNews.
Mas as imagens exibidas não surgiram por obra de uma eventual política de transparência da empresa da família do senador Fernando Collor (PTB), alvo da operação da PF. A cobertura se deu graças à chegada de um profissional da Rede Globo, tratado como interventor por funcionários do Departamento de Jornalismo, há alguns dias.
A chegada do profissional, que o blog não conseguiu confirmar seu nome, se deu há poucos dias na forma de uma cordial visita. Coincidência ou não, às vésperas da investida mais ostensiva das forças policiais contra o grupo de comunicação dos Collor de Mello, que possui rádios, TV aberta e fechada, jornal impresso e portais de notícias.
Jornalistas do núcleo do Jornalismo da TV Gazeta ainda não sabem claramente que tipo de intervenção será feita. Mas assumir as rédeas da cobertura política da programação é o que costuma ocorrer nesses momentos. Foi assim em outra ocasião, quando a TV Gazeta teve como interventores os jornalistas Clécio Vargas e Marco Nascimento, antes e depois de Collor disputar e perder para Ronaldo Lessa (PDT) a eleição para governador de Alagoas, em 2002.
Ao contrário de Vargas e de Nascimento, não se sabe se o novo interventor, como tem sido tratado, assumirá a Direção de Jornalismo da TV Gazeta, pelo menos por hora comandada pela jornalista Maria Goretti. Mas foi enviado pela Rede Globo para receber um salário pomposo, a ser bancado pela TV Gazeta, em tempo de turbulência interna e de contenção de despesas, principalmente por meio de uma política de não pagamento de horas extras.
Queixa formal à Globo
Os rumos da cobertura política da TV Gazeta já haviam sido alvo de queixa formal à Rede Globo, por iniciativa do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), no início de 2013, quando o adversário político de Collor foi banido das matérias do cotidiano da programação local da emissora. Na ocasião, também foi denunciada pelo então secretário estadual de Comunicação Rui França a grande exposição do senador nas inserções da propaganda partidária, fato que também tem chamado atenção nos últimos meses. Mas não se sabe se a chegada do profissional da Globo tem relação com a reclamação ou com os rumos da Lava Jato.
Os demais veículos de comunicação ainda não haviam repercutido a ação da PF na OAM, até o momento em que foi publicado este texto. Mas a operação de hoje relembrou ao alagoano que a TV Gazeta é, antes de tudo, uma concessão pública. E os profissionais que atuaram na cobertura, com imagens e produção para a Rede Globo, devem se sentir plenamente realizados pelo cumprimento de um papel ímpar na história das telecomunicações no Brasil.
Propaganda partidária
No início da tarde desta terça-feira, a assessoria do senador Collor entrou em contato com o Blog para esclarecer que sua aparição nas inserções ocorreu dentro do espaço reservado ao PTB pela legislação eleitoral, com o aval da Justiça Eleitoral. E também afirmou que sua exposição no programa partidário se deve ao fato de ser líder do PTB em Alagoas.
Leia mais: Polícia Federal cumpre mandados da Lava Jato nas empresas da família Collor

