Contra provas, não há argumento.

Embora para Lula, Dilma e o PT, haverá sempre, contra qualquer prova que os ligue ao esquema de corrupção na Petrobras, a alegação do terceiro turno da eleição presidencial de 2014.

A cada caminho mais curto entre eles e a Lava-Jato, falam em golpe contra a democracia, relembram a própria história, atacam delatores, a imprensa e a oposição.

Para cada um deles, nada é mais forte do que eles próprios.

Nem mesmo as investigações do petrolão.

Mas está de posse da Lava-Jato documentos que ligam a campanha de reeleição de Dilma, e o seu governo, ao golpe dado pela UTC na Petrobras.

O dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, preso, não só delatou a Dilma e o PT, como apresentou provas.

Ele entregou à Justiça dezenas de planilhas com movimentações financeiras, manuscritos de reuniões e agendas que fazem do seu acordo de delação um dos mais contundentes e importantes da Operação Lava-Jato.

O material constitui um verdadeiro inventário da corrupção.

E, de novo, voltamos ao cerne da questão.

O que a Lava-Jato, a imprensa e a oposição vem falando sobre as doações financeiras ao PT, a Lula e a Dilma, não é sobre a legalidade ou não das contribuições. Mas a origem do dinheiro e principalmente a motivação para tais doações.

Que o dinheiro saiu do propinoduto da Petrobras, não há mais dúvidas.

O que os delatores, em especial os da UTC, estão dizendo, é que as contribuições saíram sob coação, chantagem, achaque mesmo.

A Revista Veja, do último final de semana, reproduziu parte do depoimento de Pessoa sobre os tais achaques:

“Segundo o delator, ele doou 7,5 milhões de reais à campanha depois de ser convencido por Edinho Silva. “O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?”, disse o tesoureiro em uma reunião. O empreiteiro contou que não interpretou como ameaça, mas como uma "persuasão bastante elegante". Na dúvida, "para evitar entraves" nos seus negócios com a Petrobras, decidiu colaborar para que o "sistema vigente" continuasse funcionando - um achaque educado. Mas há outro complicador para Edinho: quem apareceu em nome dele para fechar os detalhes da "doação", segundo Pessoa, foi Manoel de Araujo Sobrinho, o atual chefe de gabinete do ministro. Em plena atividade eleitoral, Manoel se apresentava aos empresários como funcionário da Presidência da República. Era outro recado elegante para que o alvo da "persuasão" soubesse com quem realmente estava falando.”

De toda sorte, Lula, Dilma e o PT preferem continuar esperneando.

É um direito deles.

Já o dever da Lava-Jato é desbaratar o esquema do petrolão, identificar os responsáveis e os beneficiados, e passar a política brasileira a limpo.