O aluguel social tem sido uma alternativa encontrada pelo poder público para abrigar as famílias de baixa renda em Maceió que não tem moradia. Com o déficit habitacional de mais de 40 mil residências, essa parcela da população busca por locais improvisados em grotas, favelas e até mesmo invadindo prédios públicos abandonados em busca de uma casa.
A recente desocupação da Vila dos Pescadores, no bairro do Jaraguá, mostrou que muitas famílias vivem nessa situação de moradias improvisadas. Sem ter para onde ir, alguns moradores buscaram os galpões abandonados nas proximidades da Vila como abrigo provisório. Todas elas receberam aluguel social.
Sem aluguel social ou previsão da entrega de uma residência, mais de três mil famílias estão em oito acampamentos espalhados por Maceió nos bairro do Benedito Bentes, Tabuleiro do Martins, Serraria e Bebedouro. A situação dessas pessoas é semelhante àquelas que ocuparam um terreno no bairro da Santa Lúcia, em 2012.
Elas atualmente continuam ocupando no prédio abandonado Ary Pitombo, antiga sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no Centro. De acordo com Marcos Antônio Silva, coordenador do Movimento Via do Trabalho (MVT), 120 moradores estão no local insalubre e com risco de desabamento a espera da moradia.
“O local é total desumano para aquelas pessoas morarem lá, mas elas não têm para onde ir nem querem ficar na rua. Nós estamos sempre cobrando do município e do estado a construção de novas moradias em Maceió para atender essas famílias. Nós precisamos de mais agilidade”, afirmou Antônio Silva.
Essa mesma agilidade, cobram os moradores do Vale do Reginaldo que vivem em casas improvisadas em áreas consideradas de risco pela Defesa Civil do Município. As obras dos apartamentos e a revitalização da comunidade andaram a passos lentos durante muito tempo e o sonho de ganhar uma casa novinha chegou a desaparecer para alguns.
Há quase oito anos que se iniciaram a construção das imóveis, e, apenas 180 apartamentos, construídos para contemplar 1.512 famílias, foram entregues. Quem convive com o risco de desabamento no período chuvoso fica muito mais angustiado.
“Nós temos que deixar as nossas casas, o local onde moramos porque não temos uma moradia adequada e sempre que chove é um risco muito grande para todos aqui. Se esses apartamentos já tivessem prontos seria outra coisa”, disse a moradora do Vale do Reginaldo Marlene Santos Silva.
Êxodo rural e “aproveitadores” desafiam meta de reduzir em 24% déficit habitacional até 2016
Nos quatro anos de gestão, a Prefeitura de Maceió tem a previsão de construir 10.132 unidades habitacionais para reduzir o déficit habitacional encontrado em 2013 em 24%. Dados do último Censo Demográfico mostrou uma carência de 42 mil domicílios e um levantamento de 300 mil moradias, sejam consideradas normais, aquelas de alvenaria, ou precárias como de taipa com e sem reboco, e ainda as de madeira aparelhadas ou de reaproveitamento.
“Já entregamos as primeiras unidades ainda no começo de 2014 e, até o final de 2016, todas as unidades em construção serão entregues à população de Maceió, o que nos levará a reduzir em cerca de 24% o déficit herdado. Claro que ainda falta muito, mas se considerarmos o avanço em apenas quatro anos e fizermos um levantamento do que foi efetivamente produzido nos últimos três governos, poderemos constatar que nunca se avançou tanto, apesar de todas as dificuldades”, colocou Mac Lira, secretário de Habitação.
Além da garantia de projetos e verbas para construção dessas moradias, o maior desafio, segundo o secretário, é o crescimento desordenado de assentamento formado por famílias vindas do interior, em algumas vezes coordenadas por movimentos sociais em busca de uma moradia na capital. Segundo ele, existe uma sensação de que cada dia surge um novo acampamento na cidade, o que pode estar atrelado à falta de perspectiva com a vida no campo.
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