Quem é o responsável por constranger e espancar Fábio Moura, 20 anos, estudante de Direito, que no dia 28 de junho passado divertia-se com amigos e familiares em Jaraguá, na capital alagoana?
Que crime, ou infração, cometeu Fábio para ser humilhado, espancado e arrastado pela força policial?
Ele não estava armado, não estava com drogas, não estava roubando, não estava brigando e nem tinha com ele tamanha força que não pudesse, caso fosse necessário, ser contido por policiais sem precisar apanhar.
Se Fábio cometeu algum delito, não ficou preso.
Nem boletim de ocorrência os policiais que bateram nele registraram.
Depois de momentos de horror, o estudante foi liberado.
Então, o que de fato aconteceu naquela madrugada?
Fábio conta que, cansado, enquanto aguardava amigos e parentes, encostou-se a uma viatura policial.
Não tinha visto que o carro era da Polícia Militar.
Mas, mesmo que tivesse visto, qual o crime disso??!!!
E, se a postura do estudante era considerada errada, bastava algum policial pedir para ele se afastar. Mas, segundo Fábio, o que aconteceu a partir daí foram cenas de violência, agressão, lesão corporal contra ele.
Relata o estudante em seu facebook:
"Comecei a gritar que estávamos em democracia e mandei as pessoas filmarem porque aquilo de forma nenhuma estava correto. Gritava com o policial que me agrediu que ele iria ser processado. No meio de socos enquanto me mantinha com a cabeça baixa e pensava que não havia necessidade de estarem me repreendendo daquela forma, pois como ser humano tenho dignidade a zelar, e a única interpretação que eu tive na hora é que eu estava sendo torturado por absolutamente nada numa covarde ameaça aos meus direitos como pessoa".
"Fui arrastado até um posto policial montado no local onde ao entrar ainda gritava que aquilo estava completamente errado e que não iria ficar por isso mesmo. Aliás, não tenho sangue de barata e sou muito humano. Disseram que eu sabia o que era desacato à autoridade por ser tão entendido de leis”.
“Chegando ao posto policial fui jogado em cima dos demais que estavam detidos ali, uns algemados e outros não. Jogaram-me como se fosse um brinquedo velho e desprezível e eu caí em cima dos outros que lá estavam com medo de ser torturado ainda mais. Foi desumana a forma como me trataram, estou muito indignado e triste por saber que é assim que as pessoas são tratadas e que existe o uso de tamanha violência”.
Fábio Moura fez exame de corpo de delito e esteve na OAB e na Corregedoria da Polícia Militar cobrando providências.
Cabe ao Estado responder por essa situação, porque muito mais do que uma questão de justiça, essa resposta é um direito à cidadania.
Sob pena da força policial não saber mais quem é bandido e quem não é.
