Nos Estados Unidos, em viagem oficial, a presidente Dilma reagiu à delação do empreiteiro Ricardo Pessoa às investigações da Lava Jato.
Misturou alhos com bugalhos.
A primeira fala foi para declarar que não respeita delator, mas foi Dilma quem, há dois anos, sancionou a lei que garante a delação premiada no país. Por acaso, a presidente imaginava existir delação sem delator?!
Dilma também confundiu os casos e as épocas.
Ao repudiar a delação, citou a luta contra a ditadura militar no Brasil, na qual ela participou, foi presa e torturada.
Estamos falando hoje de corrupção, de suspeita de propinas pagas com dinheiro público sob extorsão, e favorecimento financeiro ilícito em campanhas eleitorais.
A presidente deu respostas erradas às perguntas certas.
Não se está questionando a legalidade das contribuições financeiras feitas pelo processo exigido pela Justiça Eleitoral brasileira. Ou mesmo a imoralidade em algumas delas. O que está em voga é se o dinheiro que foi para campanha de reeleição dela, pelo menos o da UTC, foi movido à coação, como denunciou o empreiteiro.
Era isso o que a Dilma deveria ter respondido.
Caso, pudesse, é claro.
Outra coisa que a presidente equivocou-se, foi se mostrar como vítima no processo da Lava Jato. Das duas uma, ou foi imprudência mesmo, ou, imitando o senador Collor, está tentando desqualificar a maior investigação já feita no país em caso de corrupção com dinheiro público.
Ricardo Pessoa disse à força-tarefa de procuradores que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, que o tesoureiro da campanha de reeleição de Dilma, Edinho Silva, hoje Ministro da Comunicação Social, o forçou a doar R$ 7,5 milhões, sob pena de sua empreiteira perder o contrato que tinha com a estatal.
Segundo Pessoa, ele usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de 18 políticos, entre eles, a própria Dilma Rousseff.
O empreiteiro vai agora depor em outro processo que pode complicar ainda mais a presidente Dilma.
Ele é uma das testemunhas na ação de investigação judicial eleitoral (Aije) que apura irregularidades na arrecadação da campanha de Dilma no ano passado. O empreiteiro será ouvido em 14 de julho no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo.
Enquanto isso, em Brasília, o ex-presidente Lula decide, na prática e na raça, assumir a coordenação da resistência à crise.
Ontem Lula conversou com deputados e senadores petistas, exigiu defesa radical do PT e do governo, teve reunião com o marqueteiro do partido, João Santana, sobre o programa partidário que irá ao ar em agosto, e encomendou ao Ministro Chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, uma análise do real cenário político do governo.
Ou seja, em algum lugar, um desses caminhos haverá de chegar.
Ou não?
