Reinaldo Barros desceu cedo, antes da 7h da manhã deste sábado (27), uma das ladeiras do Jacintinho com seu triciclo motorizado para poder ir até a praia de Pajuçara, incentivado por um dos colegas que fazem fisioterapia na Associação de Amigos e Pais de Pessoas Especiais (AAPPE). Quando chegou, de início, olhava curioso a estrutura montada: palco, som, cadeiras, tendas na orla e na areia, e filhos acompanhados pelas mães, famílias inteiras em atividades simultâneas. O mar, porém, chamou mais atenção. Na areia, em direção à tenda de apoio, apenas alguns metros e ondas separaram Reinaldo de uma nova lembrança. Devidamente assistido por monitores e de boia, cadeira anfíbia e lá estava Reinaldo na água.
“A expectativa de ouvir uma pessoa contar, ver como acontece e participar realmente do Praia Acessível muito surpreendente, sabe?”, disse o aposentado Reinaldo que, prestes a completar 43 anos de idade, antecipou uma das comemorações de aniversário. “Mês que vem é idade nova, mas comecei a comemorar de hoje mesmo. Faz cinco anos que não tomava banho de mar e poder voltar pra lá com as ondas vindo para cima da gente (com os monitores) dá uma sensação de liberdade”, completou. Ao voltar para tenda de apoio, Reinaldo parecia calcular algo para si, mas nos quase trinta minutos que ele ficou no mar, e depois dois copos com água gelada revela o pensamento.
“Já vou marcar presença na quarta edição no dia 25 de julho, acho que estou bem certo de ser essa data. Vou até convidar meu primo para vir pra cá comigo. Ele também tem deficiência motora. Vamos os dois pro mar. Esse iniciativa merece ser valorizada. Eu fiquei sabendo por amigo e hoje vi mesmo que é possível ter um dia de lazer, de atividade, de banho de mar”, completou Reinaldo.
Mais acima, no palco, a primeira atração foi o curso de qualificação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) promovida pela AAPPE. Ao som de forró e música eletrônica todo o público pode dançar, descontrair e preparar o corpo para as quadras de basquete, vôlei e handebol. Na orla, o projeto Tainha também esteve presente com oficina de pesca assistida, provando que o mar estava pra peixe.
“Todos os parceiros são importantes para a construção de cada sábado por mês em que o Praia Acessível acontece, pois reapresentamos o projeto, prestamos mais informações e abrir o diálogo para sugestões e melhorias, como também sempre buscamos destacar as novidades a serem aproveitadas”, disse a secretária adjunta municipal de Esporte e Lazer, Glória Martins.
A quarta edição do Praia Acessível continuou bem movimentado e, às 11h, as atividades foram encerradas com a vontade de retorno em julho, na quinta etapa do projeto, compartilhada por todos os presentes.
O Praia Acessível contou com o apoio da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Superintendências Municipais de Transportes e Trânsito (SMTT), Limpeza Urbana (Slum) e do Controle do Convívio Urbano (SMCCU) e Faculdade Estácio.
Novidades
Segundo a coordenadora do Praia Acessível, Karina Kristian, a partir desta segunda edição o projeto conta também com a participação de pessoas com autismo e com deficiência visual, além de pessoas com deficiência física, intelectual e auditiva que participaram da primeira edição do projeto. “Cada atividade tem sua especificidade. Os participantes vão ter momentos de integração para que possamos estimular o convívio aliado ao esporte e lazer, ampliando o projeto com a inclusão dessas pessoas”, explicou. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3315-2752 ou neste link.
