Faz tempo que há uma caixa-preta perdida na Assembleia Legislativa de Alagoas.
É preciso ir fundo na história política do estado para se saber exatamente quando se jogou na lama o legislativo alagoano.
E quem o fez, é claro.
A Operação Taturana pareceu disposta a limpar o lodo no Poder Legislativo Alagoano. Mas não o fez.
Chegou a prender algumas pessoas, afastar deputados dos mandatos, noticiar o desvio de mais de R$ 350 milhões, mas quase 9 anos depois, o que temos como resultado concreto dessas investigações?
Nenhum parlamentar envolvido entrou na lei da ficha limpa, devolveu recursos, deixou de se reeleger ou sofreu alguma penalidade que resgatasse nos alagoanos a credibilidade do parlamento estadual.
Há pouco menos de dois anos, o Ministério Público Estadual voltou à vista ao legislativo alagoano.
Descobriu que havia duas folhas de pessoal. Uma feita pela empresa Elógica, e outra feita supostamente pela Mesa Diretora, que ia, evidentemente, para a Caixa Econômica Federal aos “devidos pagamentos”. A primeira era apenas para garantir “legalidade” ao caixa da Casa.
As investigações continuam no MPE. Já são cinco as ações cíveis contra a ALE.
Em 2012 a nossa Assembleia Legislativa nomeou, sabem-se lá como, duas beneficiadas do programa Bolsa Família como servidoras do gabinete da deputada Thaíse Guedes, do PSC, por um período de 90 dias. Por esse tempo, a ALE pagou pouco mais de R$ 12 mil, referente aos “contracheques” de Naudyenne e Sandra Silva, que juram nunca ter recebido um centavo desses recursos.
Algum malandro embolsou a grana.
A deputada Thaíse também garante que não conhece nenhuma das duas, nem nunca solicitou a nomeação delas para o seu gabinete.
Agora, é a história de que ex-deputados estaduais recebem normalmente pela ALE, de forma ilegal e absolutamente imoral. Mas quem são esses deputados? Quem autorizou o pagamento deles? Matéria sobre esse assunto está no Cada Minuto Press desta semana, em linhas bem traçadas por Candice Almeida Rocha.
O mais grave é o silêncio de quem está lá, como representante do povo, sobre toda essa sujeira que ajuda, ainda mais, a desacreditar a política e os políticos alagoanos.
Mas, afinal, o que acontece com a nossa Assembleia Legislativa?
Quem vai pagar ao povo alagoano a conta dos malfeitos no Legislativo do Estado?
Onde está a caixa-preta que pode desvendar os mistérios e apontar os verdadeiros culpados?
