Depois de seis meses de sofrimento de alagoanos pobres, o governo de Renan Filho (PMDB) decidiu retomar o Programa da Sopa e renovar decretos de emergência, para finalmente liberar recursos para socorrer vítimas da seca e da fome no Estado. O que se pode lamentar de tais fatos é que a correção de falhas não nasceu naturalmente de uma gestão que prometia esperança de dias melhores para Alagoas. O próprio alagoano vítima dos erros de gestão é quem está ajudando o governo a corrigir os descaminhos de políticas públicas essenciais.

A decisão de retomar o Programa da Sopa não atende apenas ao clamor de representantes dos 16 mil alagoanos a quem foi negado um socorro para aplacar a fome. Uma denúncia formalizada pelos líderes comunitários ao procurador-geral de Justiça Sérgio Jucá ajudou a tocar o coração petrificado da gestão do PT e de Joaquim Brito na pasta da Assistência e Desenvolvimento Social do Estado.

A reunião entre representantes de 71 comunidades carentes e o chefe do Ministério Público Estadual (MP) ocorreu na terça-feira (23), na sede do MP. E o interessante é que, depois de diversas tentativas de solução junto aos gestores estaduais, nada havia sido decidido até esta semana. Brito chegou a se reunir com as lideranças das comunidades em 6 de junho, e não havia resolvido o problema até hoje.

Esta questão da sopa, suspensa com a justificativa de que esta seria entregue em restaurantes populares ainda não construídos, é mais um problema que foi criado pelo próprio governo. O mesmo ocorreu com a reabertura trágica da maternidade Santa Mônica, com a suspensão do transporte escolar e com as cestas nutricionais para gestantes.

Se o governo peemedebista resolver corrigir seus próprios erros apenas com muita pressão, precisa ter mais sensibilidade para identificar o que vai ou não dar em prejuízos para a população. Mas a população alagoana, parte da imprensa e da população tem aprendido qual o caminho para fazer nossos gestores da “mudança” corrigir seus rumos.

A cidadania é o instrumento mais eficaz para curar a dureza de quem parece buscar ajustar contas à custa do descaso social.