O ex-presidente Lula anda nervoso, e não é sem razão.
A Lava Jato descobriu que o Instituto Lula e a LILS, empresa de eventos do ex-presidente, receberam R$ 4,35 milhões em quatro pagamentos, a título de patrocinar palestras dele no exterior, de empresas investigadas pela força-tarefa sob o comando da Procuradoria Geral da República.
Com a rubrica de bônus eleitoral.
A possibilidade dos presidentes e executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez, presos semana passada, fecharem acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, também amedronta o ex-presidente. O governo de Lula fez inúmeros favores a essas empreiteiras.
A propósito, o Ministério Público já tornou público a sua intenção de denunciar os presidentes das duas empreiteiras, Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, em até 30 dias.
O e x-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar, outro que está preso em Curitiba, acompanhou Lula em diversas viagens internacionais bancadas pela empreiteira.
Alexandrino também não deve se livrar da denúncia da Procuradoria-Geral da República. Investigadores que atuam na força-tarefa da Lava Jato acreditam que ele atuava como distribuidor de vantagens ilícitas em nome da Odebrecht no escândalo do petrolão.
O Datafolha divulgou recentemente pesquisa de opinião pública onde mostra que Lula já não é mais visto pelos brasileiros como o salvador da pátria. Se houvesse uma eleição, hoje, ele perderia para o senador Aécio Neves, do PSDB mineiro, por pelo menos dez por cento dos votos.
Lula está se sentindo inseguro.
Por isso, há cerca de cinco dias, vem batendo pesado, sem piedade, no governo federal, em Dilma e no PT.
O ex-presidente tem optado por fazer reuniões com pequenos grupos, a exemplo de religiosos e sindicalistas, e deixado vazar para a imprensa a sua insatisfação com a “falta de pulso” de Dilma.
Diz que o governo está parado, que Dilma não se comunica com o povo, e que o PT perdeu o rumo e só pensa em cargos, emprego e mandatos.
Ontem, no Rio de Janeiro, acuada pela imprensa, Dilma reagiu, sutilmente, a Lula:
“Eu acho que todo mundo tem o direito de criticar. Mais ainda o presidente Lula”.
Dilma tem razão, a crítica é inerente a todos.
Mas Lula, mais do que criticado, tem esperneado.
E já se começa a perceber, por que.
