Articulados pelo secretário titular da Defesa Social Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, as forças policiais têm contribuído para o atual momento de redução histórica dos números oficiais das mortes violentas em Alagoas. Mas apesar de explorar politicamente este fato positivo, que parece ser o único digno de destaque nestes primeiros seis meses de gestão, o governador Renan Filho (PMDB) confirmou ontem que reposição salarial, “com ganho real” para os militares, somente a partir de 2016. A exclusão de militares e do Corpo de Bombeiros da data-base de 2015 foi a lenha que bastou para incendiar uma fogueira de insatisfação que pode prorrogar as zabumbas juninas dos movimentos sindicais para o mês de julho, à porta do Palácio República dos Palmares.
A tropa satisfeita é um trunfo com o qual Renan Filho não pode deixar de contar, ainda mais neste momento em que o crime organizado tenta reagir com violência a uma política de segurança pública que matou cerca de 50 suspeitos em seis meses, como parte fundamental para se alcançar uma redução de 24% no quadro geral de crimes violentos letais e intencionais (CVLIs) nos primeiros cinco meses de 2015 comparado ao mesmo período de 2014.
Seria o pior dos mundos para o alagoano ter que conviver com uma “operação padrão” ameaçada pelas associações militares. Operação esta que não deixa de ser um eufemismo para um aquartelamento, porque produz o mesmo efeito: insegurança.
Quem também fica no limbo com esta situação são as próprias associações militares. Que se articularam, como aliadas governistas, para enfiar goela abaixo, em fevereiro, acordos que compensavam o descumprimento da promessa de campanha de Renan Filho, a partir do “reparcelamento” da negociação firmada em lei pelo governo anterior de Teotonio Vilela Filho (PSDB).
Renan Filho deixou para trás esses pontos de compensação da pauta de negociação de fevereiro, como a implantação efetiva do chamado “Bico Legal”, a Lei de Promoções que aumentaria vagas das graduações e postos da PM, e melhoria da estrutura dos batalhões, de viaturas e do armamento.
Os militares marcaram para a tarde desta quinta-feira (25) uma assembleia para definir os rumos do movimento reivindicatório por valorização. E o Palácio já chega junto dos líderes das associações, mas o nível de insatisfação com a negociação anterior deverá repercutir nestas conversações atuais. E pode nem adiantar muito contar com o “apoio moral” de Alfredo Gaspar, que tem tido proximidade e muito boa relação com os militares.
Cobranças por gratidão
Ainda ontem, o presidente da Associação dos Servidores da Segurança Pública de Alagoas (Asseg), coronel Ivon Berto, divulgou entre seus subordinados e associados a seguinte mensagem, em que cobra gratidão do Estado:
“Cônscios dos nossos compromissos como cidadãos, agentes de segurança, e sobretudo defensores da paz social, aguardamos com paciência, compreensão e confiança, as ações de gratidão, respeito e valorização profissional por parte desse governo que se dizia da esperança, da justiça e da mudança... É fato! Todavia, após a quebra de acordos pretéritos e promessas diversas ratificadas nos discursos de campanha do Governador... Entendemos com muito pesar a necessidade de planejar as ações afim de garantirmos o que foi acordado e amplamente divulgado pela imprensa.... O IPCA, as promoções, o serviço voluntário remunerado, o concurso como nível superior e reforço no efetivo”, disse Ivon Berto.
Os militares se reúnem ainda hoje com o governo. Mas a fogueira já está queimando o filme do governo.
