Atualizada às 16h18

Em entrevista coletiva em que fez a grande parte das perguntas para si mesmo, o governador Renan Filho (PMDB) garantiu que Estado está preparado para combater a reação do crime organizado contra as forças de segurança pública. Apesar da fala tranquilizadora, que previu convocação de reserva técnica para setembro, o peemedebista descartou reposição salarial para a Polícia Militar em 2015, ao chegar ao Hospital Geral do Estado (HGE) para entrega de equipamentos, na manhã desta terça-feira (23). O posicionamento pode agravar as ameaças da tropa de decidir pelo aquartelamento, já nesta quinta-feira (25). Mas o governador pede compreensão dos militares e ajuda da imprensa e da sociedade.

“O que eu garanto para a Polícia Militar é que, em nosso mandato, eles [os policiais] não vão ter perdas de salário. Vão ter ganho real de salário, no mandato como um todo. Infelizmente, em um ano de crise, a gente não pode resgatar tudo aquilo que foi deixado para trás por outros governos. Nós, no início do ano, criamos condições para honrar um acordo salarial que foi dado no ano passado para este governo pagar. Mas nós fizemos o acordo e pagamos. E isso representa mais que o aumento de todas as categorias. Só o que foi pago acima da inflação, aproximadamente 12%, foi um aumento que seu impacto financeiro nas contas do Estado representam mais do que todas as categorias somadas. Isso é muito simbólico e significativo”, afirmou Renan Filho.

O problema da fala do governador é que o reajuste a que se refere no discurso não tem relação com as perdas salariais da data-base atual. Por isso, o Conselho Estadual de Segurança Pública já se preocupa com a possibilidade de aquartelamento e a tropa já se mobiliza, marcando assembleia para a próxima quinta-feira (25).

Esta também não foi a primeira frustração da PM com a gestão de Renan Filho, que frustrou, em negociação de fevereiro, uma expectativa de cumprimento do acordo firmado em dezembro de 2013 no governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB), que pôs fim ao mais grave levante militar contra o governo, desde o 17 de julho de 1997. Na ocasião, Renan Filho descumpriu promessa de campanha de garantir 22,84% de acréscimo que deveriam ser pagos até abril deste ano. E garantiu tal percentual, dividido da seguinte forma: 6% em folha suplementar de janeiro de 2015; 6,84% para julho; 5% para janeiro de 2016 e 5% em abril de 2016.

Reconhecimento

Apesar da pendência, o governador se sentiu tranquilo para reconhecer o papel das forças de segurança, citando a redução da violência em Alagoas, com muito mais presença da polícia na rua, investigações com escutas telefônicas de todos os traficantes de Alagoas e as maiores apreensões de armas e drogas da história de Alagoas, segundo ele.

“Todas essas medidas, a atuação dos helicópteros, maior presença histórica da Força Nacional, foi isso tudo junto que reduziu isso. Não foi por obra do senhor, não!”, exaltou Renan Filho, ao comentar a medida que incluiu policiais à paisana nos ônibus para evitar que eles continuem sendo incendiados.

Renan Filho disse estar tranquilo diante das reações do tráfico às mais de 50 mortes de suspeitos em confrontos com a polícia. Antes, pediu o apoio da imprensa para estampar menos a violência em matérias e promover a paz, apoiando as forças policiais que combatem o crime. E depois de pedir a "parceria" com a imprensa, teve que ser corrigido ao divulgar o número errado do Disque-denúncia da Defesa Social, que é 181.

“Eu queria pedir apoio da imprensa para que faça a promoção da cultura da paz. É promover menos o bandido e promover mais quem combate o crime em Alagoas. Pelo confronto que tivemos com a polícia, enfrentando, houve uma reação, sobretudo, do tráfico. Com muita tranquilidade, vamos estar preparados para agir novamente. Os bandidos recuam, se preparam para tentar uma reação. Eles tentaram reagir e nós estamos preparados”, concluiu, ao destacar a transparência dos dados sobre a redução da violência em Alagoas.