A ideologia de gênero citada em alguns trechos do Plano Estadual de Educação voltou a incendiar os debates na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) na tarde desta terça-feira, 23. A afirmação do líder governo na Casa, deputado Ronaldo Medeiros (PT), de que o termo não consta na proposta gerou uma série de reações em plenário.

“Tudo isso que se fala é sem ter conhecimento, pois o plano tem 146 folhas e apenas duas folhas e meia falam sobre a orientação e educação sexual, sem falar em ideologia de gênero. O que eu vejo é terrorismo, uma discussão que apequena uma lei muito importante para Alagoas”, afirmou Medeiros, apontando vários dos pontos do projeto considerados relevantes.

Ele acrescentou ainda que não há cartilha na proposta, ao contrário do que chegou a ser divulgado, principalmente por meio das redes sociais: “A cartilha só existe na internet e de forma apócrifa”.

Primeiro a apartear o colega, Sérgio Toledo (PDT) fez questão de ler vários trechos do Plano Estadual onde a ideologia de gênero é citada. “Ou vossa excelência está com um texto diferente do meu em mãos ou não encontrou, mas em várias metas o termo é citado. Quanto à cartilha, claro que não faz parte do plano, porque está nas metas a serem cumpridas. As cartilhas poderão surgir em consequência do plano, caso ele seja aprovado como está”, explicou o parlamentar.

Anomalias

Também em aparte, Antônio Albuquerque (PRTB) fez um discurso polêmico ao se dizer estarrecido com o tempo dedicado pela Assembleia Legislativa à discussão de tamanho absurdo.

“Eu sei que não é fácil você externar como homem público determinados sentimentos, mas não pode caber que se possa admitir sequer a discussão, por parte dos poderes públicos, de uma violência tão grande praticada contra a família. Eu me relaciono bem com todo ser humano que me respeita, mas jamais me darei ao trabalho de dispensar um minuto do meu tempo pra discutir determinadas anomalias da natureza”, afirmou, se referindo às relações homoafetivas.

Em outro ponto de seu pronunciamento, Albuquerque frisou que não estava, em momento algum, dizendo que qualquer ser humano “acometido dessa anomalia” tinha que ser espancado ou morto, mas defendeu com veemência que tal ideologia não pode ser encarada com normalidade.

“Isso é uma anomalia, sobretudo moral, que pode ter origem numa patologia qualquer. É a ausência de moral... Aqueles que por desvio de conduta ou moral fazem sua opção já com suas personalidades formadas, que respeitemos, mas essas pessoas quererem impor a criança que elas convivam e admitam aquilo como normal e natural não. Essa demagogia precisa acabar”, frisou, defendendo que a ideologia de gênero seja expurgada do plano.

Os deputados Ricardo Nezinho (PMDB), Pastor João Luiz (DEM), Dudu Hollanda (PSD), Jó Pereira (DEM) e Rodrigo Cunha (PSDB) também apartearam a fala de Medeiros.

Ao final da sessão, foi lido um requerimento, de autoria de Hollanda, para que o governador Renan Filho (PMDB) retire do Plano às referências ao polêmico termo.

Tramitação

Seguindo as diretrizes do Plano Nacional, o Plano Estadual de Educação 2015/2025 está em fase de elaboração para que seja encaminhado à Casa de Tavares Bastos, onde será apreciado pelos deputados. A proposta, que está disponível na página eletrônica da Secretaria de Estado da Educação, já rendeu calorosos debates na ALE em razão da ideologia de gênero.

No Estado e nos municípios os planos deveriam ser apreciados até amanhã, dia 24, mas, pelo menos em Alagoas, poucas cidades cumpriram o prazo.