A Lava Jato entrou na 14ª fase.
Sexta-feira, 19, foram presos os presidentes das construtoras Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. As empresas estão entre as maiores do país no setor, e há suspeitas de irregularidades em contratos com a Petrobras.
Não há surpresa nessas prisões, essa já era uma história anunciada faz tempo.
O que surpreendeu foi a polvorosa que essas prisões, principalmente a do presidente da Odebrecht, Marcelo, parece ter provocado no governo brasileiro, segundo os principais meios de comunicação do país.
A preocupação é que, pressionado pela prisão, Marcelo revele dados que não apareceram nas investigações da Lava Jato.
No inquérito, há referências a obras feitas pela Odebrecht no exterior com recursos subsidiados do BNDES. A empreiteira foi beneficiada por 70% de todo o crédito disponibilizado pelo governo no exterior entre 2007 e 2015, recebendo US$ 8,4 bilhões.
Além da proximidade de Lula com a Odebrecht.
Ao deixar o governo, entre 2011 e 2014, o ex-presidente recebeu dinheiro da empresa para dar palestras no exterior. A construtora chegou a pagar US$ 300 mil por evento e forneceu aviões para viagens a Cuba, República Dominicana, Venezuela, Panamá e Angola.
A Revista Época trouxe na edição do final de semana, frase atribuída ao pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, há alguns meses, quando se começou a cogitar a possibilidade da prisão de seu filho:
“Se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas: uma para mim, outra para o Lula e outra ainda para a Dilma”.
A Época também traz na sua matéria o relato de um possível telefonema feito por Marcelo, assim que recebeu voz de prisão, para um amigo que seria interlocutor entre ele, Lula e a presidente Dilma: “É para resolver essa lambança”.
Não se sabe se Marcelo vai delatar alguém, ou mesmo se essa delação terá força para derrubar o governo petista, mas que tem muita gente torando aço, isso não resta dúvida.
A defesa dos dois executivos já ingressou em juízo com habeas corpus para colocá-los em liberdade.
Vamos ver se a ‘lambança’ será resolvida ou se a República cai.
Ou, se tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes.
