Na tarde desta segunda-feira (22), a cantora Elaine Kundera formalizou denúncia na 61ª Promotoria de Justiça da Capital, órgão do Ministério Público Estadual, no Barro Duro, contra a Sargento Léa Soares. Kundera estava no final da sua apresentação no bar "Vou Ali”, quando, no sábado, dia 20, a sargento entrou armada e desferiu diversos disparos de arma de fogo. Alguns estilhaços chegaram atingir a artista.

Elaine Kundera  foi enfática em afirmar que a sargento poderia não só ter matado ela “assim como outras pessoas que estavam no estabelecimento”. A cantora disse ainda que não sabe como vai fazer para trabalhar tranquilamente depois do ocorrido. “Eu ainda não acredito que isso aconteceu", disse abalada.

A proprietária do bar, Neide Lima, informou que essa é a segunda vez que a sargento e o marido dela - um coronel da PM -  tentam arrumar confusão no estabelecimento.  Segundo Lima, desde a abertura do bar, em 12 de junho, são constantes as perseguições por parte dos militares.  "Eles nos xingam porque o "Vou Ali" é um bar direcionado ao publico GLS. Isso para mim é sério e tem nome - homofobia", acredita Lima.

No MPE, a cantora foi recebida pelo promotor Flávio Gomes da Costa Neto, da promotoria de Direitos Humanos. Estiveram também acompanhando Kundera, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) e do Grupo Gay de Alagoas.

Durante o episódio, Kundera estava acompanhada de sua companheira, Elaine Cristine, que trabalha como policial civil.De acordo com Elaine Cristine,  a sargento estava muito exaltada quando entrou no estabelecmento gritando "que ia ser por bem ou por mal que o bar seria fechado".

"Ela já entrou xingando todo mundo, com palavras de baixo calão, dizendo que o local não era ambiente familiar. Totalmente descontrolada com o revólver na mão", diz a policial.

O promotor Flávio Gomes da Costa Neto recebeu a denúncia e três vídeos, que servirão como prova material no processo. Segundo o promotor, a denúncia será analisada como tentativa de homicídio e não como lesão corporal grave.

Leia mais: Irritada com barulho de som, sargento da PM invade bar e efetua disparos

*Colaboradora