Em um texto encaminhado à imprensa na noite desta quinta-feira (18), a Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT/AL), repudia a retirada das famílias da Favela em Jaraguá, após determinação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A entidade classifica a ação como “truculenta”.

A desocupação para reintegração de posse da Vila de Pescadores, conhecida como Favela do Jaraguá, foi iniciada na manhã da última quarta-feira (17). A operação mobiliza policiais militares de seis unidades operacionais. A ação está sendo executada em parceria com a Secretaria de Estado da Defesa Social e ressocialização (Sedres), o apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Federal, Guarda Municipal e outros órgão municipais.

Confira na íntegra:

A Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT-AL) vem a público repudiar a decisão judicial e a ação conjunta da Polícia Militar e da Prefeitura de Maceió, que removeram, de forma truculenta e sem nenhum diálogo, as famílias que residiam há décadas na Vila dos Pescadores de Jaraguá. 

Uma operação de guerra foi montada para impor a demolição das residências e a remoção das famílias. Durante a operação, o trânsito foi fechado, centenas de policiais, entre militares, guarnições do Bope, da Radiopatrulha, da Guarda Municipal e da Cavalaria, ocuparam a Praça do Misa. 

Essa atrocidade se agrava com o fato de a Prefeitura de Maceió não ter lugar para abrigar os pescadores. Assim, quis colocá-los em uma escola ainda em funcionamento, o que provocou revolta da comunidade escolar. Por fim, resolveu usar uma creche desativada no bairro do Bom Parto, sem nenhuma estrutura para receber as famílias, as quais, por se tratar de pescadores, terão sua atividade profissional dificultada, ou até mesmo inviabilizada, causando prejuízos ainda maiores a toda a comunidade.

Protestamos também contra a destruição de um traço tão marcante da identidade de nosso Estado – a existência das vilas de pescadores. Ao invés de investir na revitalização da vila, o poder público marginalizou a comunidade e judicializou a situação, excluindo a sociedade da decisão.

Repudiamos, com veemência, também a destruição do Terreiro de Mãe Vitória, atitude que, além de contrariar o dispositivo constitucional, revela o caráter racista dessa ação de “higienização” social.

A CUT-AL se soma aos movimentos sociais que abraçam solidariamente a Vila e seus pescadores e, junto a eles, estará vigilante para que as famílias tenham tratamento digno e restabelecido o direito à moradia.