Apesar da lutar para permanecer na Vila dos Pescadores, moradores da Favela do Jaraguá, como é conhecida a Vila, estão sendo retirados do local desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira (17). A operação ocorre em cumprimento à decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF). Ao CadaMinuto, os moradores lamentaram a desocupação e falaram sobre a incerteza do futuro.
Moradora da Vila há 27 anos, a dona de casa Doriane Lima diz que está temerosa com a desocupação porque não sabe para onde vai. “A gente não sabe de nada. Acordamos com esse monte de polícia aqui, como se a gente fosse bandido. Estou preocupada”, colocou Doriane, que não foi incluída no cadastro para receber um apartamento.
Lidiane Maria da Silva, que morava há 10 anos na Vila, diz que está incerta quanto ao seu futuro. “Eu sabia que uma hora eles viriam, mas não sabia o dia nem a hora. Eles poderiam ter avisado. Moro aqui há 10 anos e hoje vão me levar para algum lugar que ainda não sei qual é, pois eu não tenho para onde ir. Sem falar que tenho três filhos que estão sofrendo com isso”, destacou.

Também mãe de três filhos, Sônia Maria Marinho não sabe o que vai acontecer com os ela e os filhos “Para onde a gente vai? Nem todo mundo vai poder ir para os apartamentos porque não tem cadastro para morar lá. Vão levar a gente pra algum abrigo, como se a gente fosse cachorro. Mas ninguém aqui é cachorro, marginal nem desordeiro”, disse.
Outra moradora, cadastrada para receber um apartamento no Residencial Vila dos Pescadores, compara a operação de desocupação a uma “Praça de Guerra”. “Olhe quantos policiais. Aqui se tornou uma Praça de Guerra. Eu nunca vi isso aqui na minha vida, aliás, eu só vi na televisão. É revoltante como a Prefeitura trata a comunidade. A minha situação ainda é melhor que as outras porque eu tenho para onde ir. E quem não tem? O que eles vão fazer?”, questionou.
Movimento Abrace a Vila
Através das redes sociais, o movimento Abrace a Vila convocou todos os participantes para fazer uma vigília na comunidade para garantir os direitos dos moradores. Na página oficial, o grupo explicou que a medida era para assegurar “que não abusem ainda mais dos direitos da comunidade e que a remoção aconteça sem violência. Por isso precisamos da presença física de todos que puderem a partir de agora!”.
O movimento foi montado na defesa da não remoção dos moradores e pela revitalização da Vila instalada no Jaraguá há mais de seis décadas. Durante esse tempo, poucas famílias que permaneceram no local buscava integrar projeto planejado pela prefeitura.
De acordo com o projeto da Prefeitura, no local onde hoje fica a Favela de Jaraguá será construído um Centro Pesqueiro que vai garantir um mercado de peixe com área de vendas, 60 depósitos para armazenar o pescado, três estaleiros para fabricação e conserto de barcos, uma fábrica de gelo, um galpão com 30 depósitos para acondicionamento do material de pesca e seis oficinas.
Também fazem parte do investimento a construção de uma sede para a Associação de Pescadores, uma filial da Associação dos Alcoólicos Anônimos, museu, lanchonete de comidas típicas, sorveteria e estacionamento para automóveis e bicicletas. Os recursos de origem federal já estão garantidos e toda a obra já está licitada.
Para famílias como a de Doriane Lima, a prefeitura vai disponibilizar um aluguel social.









