Há uma semana o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e o governador Renan Filho (PMDB) atuaram em parceria para destravar o projeto de Reurbanização do Vale do Reginaldo, uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Alagoas. O momento não evitou que ambos trocassem farpas a respeito de crise de saneamento causada pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), na área nobre da capital.
Hoje cedo, o prefeito Rui Palmeira culpou a Casal e cobrou providências urgentes do Estado sobre o que chamou de “colapso do sistema de saneamento em Maceió”. E o governador peemedebista respondeu que não adianta “a Prefeitura” apenas apontar o dedo para a Casal. E citou a poluição o Riacho Salgadinho como exemplo da suposta omissão do município com relação às ligações clandestinas. E foi mais além:
“É preciso que a Prefeitura também olhe para a sujeira que está debaixo do tapete. Um exemplo é o Riacho Salgadinho”, reagiu Renan Filho, durante entrevista a repórteres, na abertura da II Semana Contábil e Fiscal para Estados e Municípios, na manhã desta segunda-feira (15), no Teatro Deodoro.
Ao escolher o Salgadinho como exemplo, o governador remete o maceioense justamente à obra de Reurbanização do Vale do Reginaldo, que pode dar contribuição importante para diminuir a poluição do riacho, mas estava paralisada desde o início de seu governo, há cinco meses e meio. Neste caso, se há sujeira debaixo do tapete, esta é de responsabilidade não apenas da Prefeitura, mas também do governo estadual, desde janeiro.
Quando sugeriu, mesmo que indiretamente, que Rui Palmeira apontasse soluções e não apenas os problemas, o governador respondia sobre as declarações do prefeito, que condenou, por exemplo, problemas crônicos de buracos causados pela Casal na Avenida Amélia Rosa, Jatiúca; em Bebedouro e Chã da Jaqueira.
“A Casal não faz investimento, que inclusive são cláusulas do contrato da Casal com o município. E desde 2013 começamos a notificar a Casal por descumprimento de contrato. Somente este ano foram mais de 100 multas na Casal, por conta de esgoto voltando. E precisamos de providência urgente, porque estamos em uma situação constrangedora, de colapso do saneamento em Maceió”, disse o prefeito, em entrevista na manhã de hoje, durante entrega de material escolar para rede municipal de ensino.

Origem do atrito
Este embate verbal acontece em contexto de um problema escancarado na semana passada, após a atuação da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), que flagrou ligação clandestina da Casal (!!!) jogando esgoto na orla marítima.
Todas estas situações acontecem na região da orla, apesar da execução de obras decorrentes e um investimento inicial de R$ 35,6 milhões no esgotamento sanitário da Bacia da Pajuçara, que se arrasta desde 2008, na gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), aliado de Rui.
Para completar o cenário que não cheira nada bem na área nobre da capital, empreiteiras exercem forte pressão sobre as autoridades, depois que o Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram ao município a suspensão de licenças ambientais para construção de novos prédios até que a situação do saneamento seja resolvida.
O presidente da Casal, Clécio Falcão, aponta a necessidade de mais investimentos federais para solucionar os problemas.
Enquanto as ações concretas não chegam, tomara que o clima da disputa de 2016 não faça os gestores públicos disputarem a simpatia apenas dos eleitores os prédios de luxo da Jatiúca à Pajuçara. Pois, há décadas, a população dos bairros da periferia e da parte alta da capital continua convivendo o esgoto escorrendo em suas portas, levando insalubridade a crianças e adultos, cujas contas da Casal continuam a chegar às suas casas, com a tal taxa de esgoto financiando todo este sistema.
Se tal tapete realmente existisse, por maior que fosse, não esconderia a quantidade de sujeira de que o poder público costuma tentar se livrar.
