Por quem fala o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quando defende o fim da aliança entre o seu partido, o PMDB, e o PT na eleição de 2018?
Será que ele traz nas palavras a vontade da maioria dos peemedebistas e sobretudo a vontade de lideranças como o vice-presidente da República Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros?
Cunha defende o fim da eleição pra já ou somente para 2018?
Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, Eduardo Cunha mostra que não gostou de ter sido hostilizado (vaiado) por petistas, nesse final de semana, em Salvador (Bahia), durante o congresso nacional do PT.
“O PMDB fez parte do processo de reeleição, faz parte do governo. Mas não é para dizer amém a tudo o que acontece. E o PMDB dificilmente repetirá a aliança com o PT em algum momento. Não repetirá”, reagiu Cunha.
Ele também acusou o PT de tentar sabotar o trabalho de articulação política de Temer:
“É muito melhor [a articulação política com Michel Temer]. O que vejo aqui, pelo cheiro no corredor, é que há ainda problemas com a própria base e com o governo. Vejo nitidamente que há uma tentativa de sabotagem do PT ao Michel dentro da articulação. Não tenho dúvida nenhuma disso. E isso é um tiro no pé, porque a condição, quando levaram o Michel, era que, justamente, você não vai demitir o vice. Qualquer tentativa de sabotagem do Michel acabará em ruptura”.
Ruptura que o presidente da Câmara dos Deputados parece querer apressar.
“Este modelo PMDB com o PT está esgotado. Temos obrigação de dar sustentabilidade política para o governo dela [Dilma Rousseff]. Mas o PMDB vai buscar o seu caminho em 2018. Não vejo o PMDB de novo numa candidatura do PT”, disse ao Estado de São Paulo, botando mais lenha na fogueira.
Na verdade, a separação do PMDB com o PT está prevista para a próxima eleição presidencial.
Não pelos motivos apresentados por Cunha no cenário atual, mas porque em encontro nacional, realizado em Brasília em março do ano passado, a plenária decidiu que o partido terá candidatura própria a presidente do Brasil em 2018.
É um projeto de poder, não o resultado de pendengas em alianças políticas ou de disputas por espaços neste momento.
Para isso o PMDB tem como tarefa eleger, em 2016, na maioria dos municípios, prefeitos e vereadores.
O mote é preparar terreno para a disputa dois anos depois.
Todavia, ao subir o tom das críticas ao PT Eduardo Cunha deve saber que não será desmentido. Ou não?
Em tempo: o PT aprovou, no congresso de Salvador, a manutenção da aliança com o PMDB para 2018. Pelo twitter, Cunha ironizou: "Talvez tivesse sido melhor que eles aprovassem no congresso o fim da aliança. Não sei se num congresso do PMDB terão a mesma sorte".
