A Assembleia Legislativa de Alagoas parece uma Casa fadada ao crime.

Em 2007, estourou a Operação Taturana, que investigava um desvio próximo a R$ 300 milhões.

Agora, o Ministério Público Estadual anda às voltas com outra investigação, onde um novo desvio no legislativo alagoano pode chegar a R$ 150 milhões. Pra ser mais clara, uma investigação não tem nada a ver com a outra. São distintas em tempo e em atores.

Mas em ambas, há folhas de pessoal e pagamentos suspeitos.

O que falta mesmo no Poder Legislativo do Estado é transparência.

Para se ter uma ideia, até agora ninguém sabe qual foi o deputado que  nomeou as irmãs Naudiene da Silva Quintino e Sandra Maria da Silva, que tiveram seus CPF e RG conseguidos e inclusos na folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas, como servidoras da Casa.

As duas irmãs são lavadeiras e recebem um salário mínimo por mês trabalhando na lavanderia Cláudio Farias, em Maceió.

O curioso é que, segundo elas, não conhecem pessoalmente nenhum deputado, nunca estiveram na Assembleia Legislativa, nem, tampouco, receberam algum centavo dos mais de  R$ 25 mil que constam da contabilidade da Casa como pagamento a cada uma delas.

Na Assembleia Legislativa de Alagoas, se diz o milagre, mas não se revela o santo.

As nomeações de comissionados são publicadas no Diário Oficial, mas não informam para qual gabinete essas pessoas vão trabalhar.

Cada parlamentar tem direito a uma verba de cerca de R$ 75 mil, podendo chegar a R$ 150 mil, caso se use a chamada Gratificação de Dedicação Exclusiva, a GDE, para contratação de até 25 assessores.

Claro, esse dinheiro é apenas para pessoal, porque, para o custo com cada gabinete, a Mesa Diretora destina mensalmente mais R$ 39 mil.

Evidentemente que, aí, não está incluso o salário do parlamentar.

Mas o fato é o mistério em torno das nomeações fraudulentas de duas alagoanas honestas. Quem nomeou? Quem recebeu por elas? Como se chegou até essas lavadeiras? Há outros casos idênticos? 

Estranho, ainda, é o próprio silêncio dos deputados da ALE acerca do assunto que foi parar na Rede Globo de Televisão (Bom dia, Brasil e Fantástico) e ocupou destaque, em outros veículos da imprensa local e nacional.

Erros (?) da Casa não se discutem?

Lamentável.