O inquérito policial para investigar as mortes de 12 animais do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa) foi instaurado pela Polícia Civil no dia 26 de dezembro, um dia após o registro do fato. Mesmo com agilidade para apurar os detalhes narrados pelas testemunhas e pelos representantes da ONG, quase sete meses de investigação a peça policial ainda não foi concluída.

Durante esse tempo, o relato de testemunhas mudou o curso da apuração que direcionava para um crime praticado pelos vizinhos do Neafa. No entanto, não foram apenas essas mudanças que marcam esse caso. A condução do inquérito mudou cinco vezes de titular, sendo repassadoentre a delegada Talita de Aquino e o delegado Gustavo Pires, que não concluíram as apurações.

Na última matéria mostrada pelo CadaMinuto Press, o delegado Gustavo Pires estudava pedir uma nova prorrogação do caso, devido ao impasse da não conclusão do laudo pericial sobre a suposta existência de um cemitério clandestino, mantido pela ONG em terreno vizinho.

Na época, Pires já havia afirmado que a demora na conclusão dos técnicos ambientais iria “atrapalhar” a conclusão do inquérito, ao criticar o titular da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), Davi Maia. “Agora que vai atrapalhar ainda mais. Como é que depois desse tempo todo ele (secretário) vem dizer que não tem competência para afirmar sobre os danos ambientais nem fazer as escavações?”, questionou Pires.

O diretor geral da PC, Paulo Cerqueira, afirmou que as mudanças foram necessárias devido ao volume de trabalho destinado ao delegado Gustavo Pires e a experiência da delegada Talita na apuração de crimes ambientais.

“A delegada Talita tem experiência em apurar esses tipos de crimes ambientes e já esteve com esse inquérito anteriormente, por isso fizemos essa mudança”, esclareceu Paulo Cerqueira.

Já a delegada Talita disse que a greve dos agentes da Polícia Civil prejudicou ainda mais o andamento das diligências a serem realizadas sobre o caso. Ao ser questionada sobre a condução das apurações dos fatos narrados pelos ex-colaboradores do Neafa, de que o crime teria sido praticado por um gestor para redução de gastos, a delegada disse ainda não ter nenhuma conclusão.

“Como o inquérito estava com outro delegado e algumas diligências ainda não haviam sido concluídas, não tenho como falar sobre isso”, assegurou a delegada, acrescentando que somente falará sobre indiciamento de algum envolvido no final das analises da investigação.

 

Relembre o caso

A direção do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa) cobrou a investigação do envenenamento criminoso que atingiu 30 cães recolhidos na ONG, que na morte de 12 animais.No entanto, durante os depoimentos ao Ministério Público Estadual (MPE/AL) e a Polícia Civil funcionários afirmaram que o crime teria partido de dentro da instituição visando à redução de gastos.

Conhecido apenas como Erivaldo, o gestor do Neafa foi apontado em diversos trechos dos depoimentos, como suspeito do envenenamento, porque passou a cumprir à risca a meta de redução da quantidade de animais no canil da entidade; dando sumiço em filhotes, gatos e cães adultos, sem a assinatura de termos de adoções antes obrigatórias.

O advogado da entidade, Claúdio Vieira, disse, em outra oportunidade, que aguarda a conclusão do inquérito policial da Polícia Civil e também o laudo da Sempma para ter algum posicionamento sobre caso. O Neafa mantém o posicionamento de que o gestor do ONG, conhecido como Everaldo, não tem envolvimento no caso de envenenamento.