O número de mortes em confrontos durante abordagens policial em Alagoas chegou a 41 homicídios somente nos cinco primeiros meses deste ano, conforme dados divulgados pela Secretaria de Ressoalização e Defesa Social (Sedres). Mais seis mortes em operações policiais em junho ampliaram para 47 este número em 2015, até a última quinta-feira (11). Uma dessas mortes iniciou os tumultos no bairro do Jacintinho, que resultou na ocupação da comunidade por tempo indeterminado.

A reação contra as abordagens realizadas nas comunidades periféricas de Maceió tem gerado ainda mais conflitos, e colocando na linha de frente, entre traficantes e policiais, a população. Essa situação tem sido colocada como uma grande preocupação pelo secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça.

Segundo ele, os ataques praticados, como o incêndio no ônibus da empresa São Francisco, no Jacintinho, não tem sido a principal preocupação para segurança. Mas o uso da população a serviço do tráfico nessas comunidades, esse sim, é o ponto central da inquietação das forças de segurança pública.

“Tem muita gente fazendo papel de proteção de traficante. O traficante infelizmente está fazendo o papel do Estado dentro da comunidade quando dá uma cesta ou algum tipo de ajuda. Isso faz com eles ganhem a simpatia da população para proteção do tráfico e esse tipo de situação a gente só resolver com inteligência e ostensividade”, afirmou o secretário.

Alfredo Gaspar de Mendonça disse que o Estado não tem um polícia de confronto, mas uma polícia educadora, que visa incentivar os jovens sobre os riscos do mundo do crime e também o uso de drogas. “Mas às vezes a polícia precisar chegar com mais ostensividade. A polícia precisa mostrar para população que onde traficante manda, o Estado manda ainda mais”, colocou, durante ida ao Jacintinho, após incêndio de um ônibus no ponto da Praça da Macaxeira.

Ocupações de comunidades não devem ampliar problemas

A Comissão dos Direitos Humanos da Seccional Alagoana da Ordem os Advogados do Brasil (OAB) fala em cuidados, aos destacar a ocupação dessas comunidades pela polícia. Para Daniel Nunes, presidente da Comissão, se essas ocupações não foram bem trabalhadas podem acarretar em mais problemas e abusos.

Nunes defende que um acompanhamento minucioso da segurança pública seja feito na atuação dos policiais. “Quando a polícia é colocada nessa comunidade, ela acaba alterando toda rotina daquele local, por isso é preciso muito cuidado para esse trabalho de pacificação não ser perdido”, afirmou o presidente da Comissão.

Já o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), Major Wellington Fragoso, foi enfático ao falar sobre as recentes ocupações em regiões violentas da capital. “O Estado precisar garantir segurança e isso acontece através da força policial. Precisamos nos impor e mostrar que num Estado pequeno como Alagoas, a criminalidade não deve ter espaço”, disse Fragoso.

2015 já registra mais mortos pela polícia do que nos últimos dois anos

Apesar da positiva redução da violência em Alagoas de 24% registrada pelos números oficiais dos primeiros cinco meses de 2015, a Comissão dos Direitos Humanos da OAB afirma que vem avaliando os dados divulgados pela Secretaria de Ressocialização e Defesa Social (Sedres) com muita cautela e preocupação, diante da escalada de mortes com origens de confrontos com a polícia.

Daniel Nunes, presidente da Comissão, colocou que nos últimos dois anos o Estado registrou 44 mortes por resistência em abordagem. “Nós estamos bastante preocupados com esse aumento e, inclusive, estamos montando um relatório baseado nesses dados para que possamos analisar as circunstâncias as quais ocorreram essas mortes”, disse Nunes.

De acordo com Nunes, o número de mortes em abordagem policiais em 2015 é considerado superior aos números registrados nos últimos dois anos em Alagoas. Sendo que em 2013 foram 24 mortos em confronto e, em 2014, 21 suspeitos abatidos.

A postura da Polícia nas abordagens é defendida pelas Associações dos Militares de Alagoas que falam da mudança e incentivo das forças policiais no estado. O presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), Cabo Wellington Silva, afirmou que essa mudança tem incomodado os criminosos.

 “O Estado antes vivia em inércia. Policiais desmotivados e ninguém fazia nada para mudar isso. Hoje, o formato das forças policiais motivam o agente e segurança. Temos mais viaturas nas ruas, um trabalho conjunto, com o serviço de inteligência e isso reflete nos números da segurança”, afirmou Fragoso.

Para o militar, os confrontos são gerados por pessoas são procuradas pela Justiça ou estão agindo fora da lei. “Essa conversa de excesso não existe. Quando vamos em uma ocorrência, já sabemos quem e o que temos de procurar. O cidadão de bem não vai enfrentar a polícia. A população tem ajudado muito nessa mudança de cenário”, acrescentou explicou.

O presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), Major Wellington Fragoso, foi enfático ao falar sobre as recentes ocupações em regiões violentas da capital. “O Estado precisar garantir segurança e isso acontece através da força policial. Precisamos nos impor e mostrar que num Estado pequeno como Alagoas, a criminalidade não deve ter espaço”, disse.

Major Fragoso, ao ser questionado sobre os números de mortes por resistência, foi duro em suas críticas. “Sempre que acontecem essas mortes falam em excesso. Mas, os críticos precisam lembrar, que precisa acabar essa situação de policial sendo abatido. Isso é uma desmoralização da corporação e uma vitória para o crime. Quando nós entramos em determinado local e somos recebidos à tiros, vamos ter que revidar. Não temos a intenção de matar, mas somos preparados para garantir a segurança e acabar com a criminalidade”, afirmou o Major.