Em Brasília, ontem, a CPI da Câmara dos Deputados que investiga corrupção na Petrobras, decidiu convocar o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, para depor.

A motivação é o laudo da Polícia Federal comprovando que o instituto recebeu da Camargo Corrêa, empreiteira acusada no esquema de corrupção da estatal, entre os anos de 2011 a 2013, três parcelas de R$ 1 milhão, cada.

O laudo também aponta que outra empresa do ex-presidente, a LILS Eventos Palestra e Publicidade, recebeu, de uma só vez, R$ 1,35 milhão a título de patrocínio por quatro palestras feitas por Lula. 

Já em Salvador, na Bahia,  longe do tumulto que essa convocação causou entre aliados do governo, petistas e oposição, Dilma e Lula abriram, na noite dessa quinta-feira, 11, o 5º

  Congresso do PT.

E lá, ao lado de Lula e ovacionada pelos militantes, Dilma fez o discurso de casa em defesa do ajuste fiscal, compreensão para medidas impopulares, e fé no partido.

Trechos da fala da presidente a militantes petistas:

- Nós não mudamos de lado, não alteramos os compromissos com o Brasil.

- O PT é um partido que foi forjado nas lutas de resistência dos trabalhadores. O PT é um partido preparado para entender que muitas vezes a circunstância impõe movimentos táticos para a obtenção dos objetivos mais estratégicos que, no nosso caso, é o desenvolvimento.

- Todos que estão aqui compartilham essa vontade de transformar o Brasil. Para alcançar isso precisamos caminhar juntos e firmes, o governo, o PT, os partidos aliados, os movimentos sociais. Preciso de cada um de vocês ao meu lado. Queridos militantes petistas, não se deixem abater por discursos e comportamentos intolerantes porque nós sabemos que eles são produtos da intolerância de uma minoria. Municiem-se de informações e argumentos contra a ideia de que o Brasil sofre paralisia. Por exemplo, falem com orgulho da Petrobras.

- Nos momentos de calmaria todo mundo quer ser parceiro das vitórias e realizações, mas, nas horas difíceis, quando medidas duras precisam ser tomadas, é que nós sabemos com quem podemos contar. Felizmente eu sei que posso contar com o PT. Eu preciso contar com o meu partido, um partido vivo. Que é livre pra fazer propostas, firme e construtivo nas críticas. Não precisamos andar no mesmo ritmo e pensar do mesmo jeito. Sei que o PT está engajado no governo que elegeu e esse governo não pode prescindir do PT.

- Essa luta para proteger os brasileiros teve um alto custo fiscal porque nós absorvemos, tudo foi feito com dinheiro de orçamento federal. Tudo que assumimos foi uma decisão consciente e coerente porque temos compromisso com quem trabalha e empreende. Outro governo sem esse compromisso teria escolhido o caminho mais fácil: desemprega logo de uma vez, acaba com a renda de uma vez e acaba com os programas sociais. Sempre foi assim antes de Lula, em 2003.

- E a distribuição desses sacrifícios deve ser justa e equilibrada. Eu asseguro ao meu partido que nós vamos preservar os direitos dos mais pobres, daqueles que precisam mais do Estado. Quero que fique bem claro para vocês todos os programas imprescindíveis para o nosso projeto de desenvolvimento estão inteiramente preservados. Essa é uma das razões pelas quais nos opomos àquela simplificação da lei da terceirização. Reconhecer o direito dos terceirizados é necessário, mas acabar com a diferença entre as atividades meio e fim, isso não pode ocorrer. Eu não posso dizer que a oposição desmereça o que estamos fazendo, mas eu devo contar com o meu partido, os partidos da base aliada.

Em tempo: antes de sua fala, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula conseguiram que alguns dirigentes do PT “aliviassem” nas críticas à política econômica do governo, em documento oficial do partido.

Mas há quem garanta que hoje, nas discussões do Congresso, o mar não está para peixe com relação ao governo dilmista.

Vamos acompanhar.