A falta de planejamento urbano da cidade permanece na lista dos maiores problemas para as comunidades que vivem nas grotas da capital. Ações de mobilidade, de melhoria na infraestrutura e reforço na segurança estão entre as necessidades mais urgentes da população de acordo com os representantes de 18 grotas de Maceió que participaram da audiência pública na Câmara Municipal na manhã de hoje (03).

Proposto pelo vereador Eduardo Canuto (PV), o tema foi debatido por lideranças comunitárias, moradores representantes do Executivo municipal e parlamentares. Os relatos feitos durante a sessão serão a base de um relatório que o Legislativo vai elaborar para apresentar à prefeitura.

A solicitação foi da vereadora Heloisa Helena (PSOL), que sugeriu que as propostas apresentadas para ações e soluções a curto, médio e longo prazo sejam setorizadas (Educação, Infraestrutura, Saúde e Cultura) em um relatório, definindo períodos para dar consequência a audiência pública desta manhã.

A audiência, presidida pelo vereador Kelmann Vieira (PMDB), deu espaço para que, pela primeira vez, líderes comunitários e moradores estivessem no plenário da Câmara, debatendo com vereadores os problemas de suas comunidades. “Estamos abrindo as portas desta Casa para debater com a sociedade civil organizada, o que antes não acontecia. Parabenizo o vereador Eduardo Canuto por trazer à discussão tema desta importância. Este é um pleito que merece nosso apoio, e tem recebido também a atenção do prefeito Rui Palmeira”, afirmou o presidente.

A capital possui 76 grotas que abrigam cerca de 100 mil moradores. Todas, de acordo com as lideranças comunitárias, com problemas de infraestrutura, mobilidade, lixo, transporte, saúde, educação e violência. “Moramos em áreas críticas e costumeiramente desassistidas pelo poder público nas grotas estão os excluídos. Pessoas com problemas de toda ordem, que precisam ser ouvidas pelo governo. Há muito a se fazer, não é apenas construir escadas, pintar e capinar, os moradores estão pedindo socorro e o direito à cidadania”, afirmou Zé do Boi, líder comunitário da Grota do Reginaldo.

Em seu discurso, o vereador Eduardo Canuto, lembrou a ausência de um plano de mobilidade e a falta de planejamento da cidade, fato que por muito anos ampliou os problemas dessas comunidades. Destacou ainda a importância do planejamento e execução de políticas públicas efetivas para esta parcela da população, que, segundo ele, precisa ser ouvida.
Canuto destacou também a atuação do Movimento de Humanização das Grotas, que tem recebido o apoio do executivo municipal. “Quando conheci esses líderes, percebi a importância do movimento que abraçaram. São 19 representantes de grotas buscando meios de solucionar junto ao poder público, problemas de saneamento básico, construção e recuperação de escadarias e pontilhões, contenção de barreiras, construção de quadras de esporte e habitação, entre outros”, disse.

Atuação

Criado em 2000, o Movimento de Humanização das Grotas atua na solução dos problemas dessas comunidades. Robson Lima, coordenador do movimento, lembra que 30% dos eleitores da capital moram nas grotas. “Temos recebido o apoio do prefeito Rui Palmeira em muitas ações, mas sabemos que ele sozinho não vai resolver essa questão. Os senadores e deputados que elegemos, precisam olhar mais para a nossa causa. É necessário que eles aportem recursos por meio de emendas para minimizar os graves problemas que enfrentamos. É preciso mais sensibilidade”, lembrou.

O diretor da Superintendência da Limpeza Urbana da Slum, Pablo Ângelo, afirmou que o trabalho de limpeza urbana chegou às grotas. São 18 comunidades contempladas, e o objetivo da Prefeitura é que estas ações sejam ampliadas para outras áreas.

A audiência contou também com a presença de Dinário Lemos (Defesa Civil Municipal), dos vereadores Dudu Ronalsa (PSDB), Silvânia Barbosa (PSB) e Marcelo Gouveia (PRB) e representantes de 18 grotas.