Trechos do Plano Estadual de Educação 2015/2025 que tratam sobre a identidade de gênero voltaram a repercutir na Assembleia Legislativa (ALE) na sessão desta terça-feira, 02. Desta vez, em um discurso que promete render polêmicas, o deputado João Beltrão foi o primeiro a usar a tribuna nesta tarde para criticar o que classificou de “cartilha” para ser seguida nas escolas alagoanas.
O parlamentar afirmou não se conformar com a possibilidade da aplicação da “ideologia de gênero” nas escolas para crianças de sete anos. “Querem colocar nas escolas crianças com sete anos de idade para dizer que isso tudo é normal? Que é natural? Eu não aceito. Eu não me conformo com isso. Cada um segue a vida que quer, mas eles no lugar deles e nós no nosso”, frisou.
Beltrão seguiu o discurso dizendo que não é contra o homossexual, que sempre existiu, desde o começo do mundo, mas, acrescentou: “O que achei absurdo é que eles possam criar filhos... Se não produz, como vai criar? Você ser valente com as armas do outro é bom”.
O deputado aproveitou para criticar o beijo que considerou uma humilhação imposta pela TV Globo às atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, que interpretam um casal homossexual na novela Babilônia. “Só vi no primeiro dia e desliguei a TV. Fiquei com nojo”, relatou, acrescentando que não cabe ao professor, na escola, dizer o que é ou não normal.
“Fim de mundo”
Em aparte, Sérgio Toledo (PDT) defendeu que considera uma agressão querer induzir uma criança de sete anos em relação à própria sexualidade. “Amanhã ou depois podemos ter surpresa de nossos netos e filhos terem situação de uma nova geração com outra mentalidade, achando que tudo é normal, que tudo pode”, pontuou, afirmando não ter preconceitos em relação aos homossexuais.
Tarcizo Freire também contribuiu de forma sucinta com o debate: “Quando Deus faz a criança já vem definido se é homem ou mulher... Você querer induzir um menino a ser menina... É fim de mundo. Querem desmanchar a terra, a natureza humana, em pleno século 21”.
“Ideologia de gênero quer dizer que a criança não nasce mais com sexo masculino e feminino e, aos sete anos, será educada para decidir o que quer ser”, afirmou o Pastor João Luiz, que na sessão do dia 27 de maio trouxe o assunto ao debate. Ele voltou a cobrar que o Plano de Educação seja discutido quantas vezes necessárias na Casa e que trará parte da sociedade, composta inclusive por membros das igrejas católicas e evangélicas, para o debate.
O líder do governo, Ronaldo Medeiros (PT) tentou minimizar a polêmica, lembrando que o Plano Estadual ainda é um projeto que será enviado à Assembleia e está recebendo diversas contribuições da sociedade. Segundo Medeiros, o secretário de Educação, Luciano Barbosa, irá se reunir amanhã com os integrantes da Comissão de Educação da Casa para debater esse e outros temas.
