Os planos do concluinte do curso de Farmácia, Igor Nascimento, talvez tenham que ser alterados com a greve dos docentes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), deflagrada nesta quinta-feira (28), após assembleia. Assim como Igor, outros estudantes estão preocupados com os rumos da paralisação, já que o impasse entre os docentes e o governo federal atrasa o calendário acadêmico e põe em risco a efetivação em estágios obrigatórios, a permanência das solenidades de formatura dentro do prazo estabelecido, e até mesmo os planos para os cursos de pós-graduação.
De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal), professor Márcio Barboza, a greve é resultado de um diálogo não satisfatório envolvendo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) e o governo federal. A greve dos docentes foi notificada formalmente, por Barboza, à Reitoria da Ufal na última segunda-feira (25).
“Apesar de todos os esforços do Andes-SN para a abertura de diálogo com o Governo Federal, a reunião com representantes do MEC não teve um desfecho favorável. Diante disso, a categoria dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) vê-se obrigada a aprofundar suas estratégias de luta deflagrando a greve”, informou Barboza, por meio da assessoria da Adufal, em nota pública.

Em Alagoas, as principais reivindicações dos docentes são a reestruturação da carreira, a valorização salarial de ativos e aposentados, a defesa do caráter público da universidade, melhores condições de trabalho e a garantia de autonomia para as universidades. Soma-se a essa reivindicações, a pauta dos demais servidores públicos federais que inclui data-base para todos.
Com a efetivação da greve, o estudante do 9º período do curso de Farmácia, Igor Nascimento, disse temer o atraso no curso, já que ele deveria fazer o seu estágio no próximo semestre. “Eu estava no 3º período quando a Ufal entrou em greve e tivemos que paralisar as atividades por mais de três meses. Foi complicado porque tivemos que nos reestruturar e correr contra o tempo, adiantando aulas e trabalhos. Dessa vez, estou perto de concluir e sou surpreendido com outra greve. Como não há previsão de retorno, ainda não tenho certeza se vou poder estagiar no período previsto e concluir o curso ainda este ano. Se a greve demorar, provavelmente só termino no próximo ano, infelizmente”, lamentou o estudante.
Solenidade de formatura
A um período para concluir o curso de odontologia, a estudante do 9º período, Nathalia Lane, conta que teme a durabilidade da greve, já que o atraso do ano letivo pode resultar no adiamento das solenidades. “Quando a greve foi decretada, o nosso maior medo foi exatamente a questão das solenidades, já que a depender do quanto durar, vai haver atraso. Como nós só podemos colar grau um mês depois do último dia de aula na Ufal, então o risco de adiamento das solenidades é enorme”, desabafou a estudante.
Nathalia disse ainda que a preocupação não é maior porque os locais em que vão ocorrer as solenidades não foram pagos, apenas reservados – não havendo, portanto, multas por quebra de contrato. “Ainda não efetuamos o pagamento aos responsáveis pelos locais do baile, colação e missa, nós só fizemos a reserva para garantir o espaço. Estou receosa com a situação, mas fomos aconselhados pelo cerimonial a manter a data que reservamos para o baile e esperar o desenrolar da greve para decidir o que fazer”, disse a estudante.

Apesar dos transtornos, Nathalia diz se sentir “dividida” em relação à greve. “Fico dividida em relação à greve porque eu queria muito poder terminar logo a faculdade, inclusive, porque foi bem difícil ajustar o calendário acadêmico depois da greve de 2012. Mas ao mesmo tempo eu entendo o lado dos professores e suas objeções porque foi prometido pelo governo, na greve passada, que iria ter o reajuste salarial, o que ainda não aconteceu. Eles têm o direito de cobrar. Fico triste pelos acadêmicos, principalmente, os que já estão no último período, e pelos pacientes que nós não vamos poder atender aqui na clínica da Ufal, já que com a greve tudo para”, disse a estudante de odontologia, ao ressaltar que compreende os grevistas.
Suspensão de atividades
A greve tem gerado dúvidas a estudantes a professores quanto à continuidade das aulas, já que parte dos professores disse não ao movimento grevista. Aos alunos, professores informaram que vão continuar ministrando as aulas. No entanto, de acordo com o Comando Local de Greve (CLG) todas as atividades devem ser suspensas a partir desta quinta-feira, não sendo válidas atividades durante o período de greve.
“A greve é legal e já foi anunciada à reitoria. Nesse sentido as atividades estarão suspensas a partir de hoje. Portanto não se trata de uma vontade individual do docente, apenas”, informou o Comando Local de Greve.
Universidades Federais que aderiram à greve
Além da Ufal, algumas das universidades federais favoráveis à greve são: Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e a Universidade Federal do Acre (Ufac), a partir desta sexta-feira (29). Na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) o indicativo de greve é para o dia 15 de junho.
Os professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão entre os que rejeitaram a greve, por 272 votos contra e apenas 82 a favor, com 28 abstenções, a deflagração da greve na instituição de ensino. Caso fosse aprovada, a paralisação iniciaria na quinta-feira (28).

