Vários deputados repercutiram na sessão desta quarta-feira, 27, na Assembleia Legislativa (ALE), os trechos contidos no Plano Estadual de Educação 2015/2025 relacionados à “ideologia de gênero”. O deputado Pastor João Luiz (DEM) levou o tema ao plenário, demonstrando preocupação com o que considerou “algumas aberrações” contidas no documento.
“Eu não vou citar nenhum assunto bizarro que está aqui... Não sei até onde o plano vai, estou falando baseado em denúncias que recebemos”, disse ao justificar as razões pelas quais não entraria em detalhes antes de tomar conhecimento do documento na íntegra.
O Pastor cobrou que o parlamento tenha tempo suficiente para se debruçar sobre o projeto e concluiu citando um provérbio do Rei Salomão: “Cabe ao pai e a mãe a educação de seus filhos”.
O plano, discutido com a sociedade por meio do Fórum Estadual Permanente de Educação do Estado de Alagoas (Fepeal), deve ser encaminhado nos próximos dias para análise dos deputados.
“Visão míope”
Em aparte, o líder do governo, Ronaldo Medeiros (PT) disse que também recebeu um casal, pais de um estudante, com as mesmas preocupações e anunciou que já solicitou uma sessão pública para discutir o tema. Medeiros defendeu o plano e classificou de “ignorância” e “visão míope” o foco dado a questão da identidade de gênero.
“Com todo folclore, disseram (os pais) que o plano está prevendo que na escola vão ensinar que homem pode virar mulher e mulher virar homem. É uma ignorância grande. Estou estarrecido com a repercussão”, afirmou o líder, acrescentando que a escola tem obrigação de repassar orientações e informações sexuais até para que as crianças aprendam a respeitar a sexualidade do outro. “Se o jovem não for orientado quem vai orientar é o mundo”, destacou.
Sem influências
Também em aparte, Dudu Hollanda (PSD) lembrou que há alguns dias trouxe esse tema à tribuna da Casa e confirmou ter siso procurado por pais de alunos e professores preocupados com a aplicação da ideologia de gênero nas escolas para crianças de sete anos.
“Ideologia deve ser proibida. Minha preocupação é que futuras gerações sofram influência. Eu sou um dos deputados que mais ajudo o movimento LGBT. Não tenho nada contra. Quem quiser faça sua opção sexual... Mas, influenciar as crianças eu não aceito”, afirmou.
Hollanda frisou que não pode compactuar “de uma safadeza dessas que está sendo posta”, ao se referir as discussões que ocorrem em âmbito nacional e apelou que os colegas proibissem a matéria nas escolas alagoanas. “Homem é homem, mulher é mulher. Isso foi Deus que definiu. Essa Casa não pode admitir que crianças sejam influenciadas”, resumiu.
Preocupação
Rodrigo Cunha (PSDB), Ricardo Nezinho (PMDB), Jó Pereira (DEM) e Francisco Tenório (PMN) também demonstraram preocupação com o assunto.
O tucano contou que pelo menos sete parlamentares foram procurados por pessoas preocupadas com o tema e frisou a necessidade da Casa acompanhar atentamente as discussões.
Nezinho lembrou que o assunto já foi debatido no Congresso, onde a expressão “ideologia de gênero” foi retirada. O parlamentar frisou que o tema inserido no Plano Estadual de Educação precisa ser debatido sem religiosidade, preconceito nem cores partidárias.
