Está longe de ser novidade a insatisfação do PDT com o governo Dilma.
Hoje eu conversei com o deputado Ronaldo Lessa, do PDT de Alagoas, e ele confirmou que o partido continua se sentindo inconfortável. Na partilha dos cargos governamentais com aliados, coube ao PDT uma parte capenga do Ministério do Trabalho.
É do PT a maioria dos cargos mais importantes da pasta do Trabalho.
As lideranças do PDT já estiveram com o vice-presidente e articulador político da presidente Dilma, Michel Temer, fazendo suas queixas. Temer prometeu que se empenhará para fortalecer e ampliar o partido dentro do Ministério do Trabalho.
O PDT tem 19 deputados federais e seis senadores no Congresso Nacional.
Ou seja, não é uma bancada para se descartar.
Dos seis senadores, cinco já assinaram uma declaração se dizendo fora da base aliada do Planalto. Na Câmara Federal, alguns deputados já expressaram sua vontade de deixar o governo. Ronaldo Lessa nega que o caminho do partido seja a oposição, mas diz que a independência é a postura mais defendida dentro do PDT.
O deputado me disse que de uma coisa o partido não abre mão, que fique ou não na base de sustentação política de Dilma: os direitos trabalhistas. O PDT votou contra o governo nas propostas do ajuste fiscal que reduziam direitos dos trabalhadores.
Por ora, o PDT aguarda boas notícias de Temer. Até lá, o partido está unido na reforma política que entra em pauta na Casa, semana que vem, assegurou-me o parlamentar.
A propósito, a reforma entra em pauta já fatiada.
Será apreciada e votada cada uma das propostas separadamente. A Câmara dos Deputados deverá concentrar o foco na reforma política, de terça-feira, 26, a quinta-feira, 28. A tendência é cair a reeleição e aumentar o tempo de mandato dos proporcionais e majoritários. A cota de mulheres nos legislativos também entrará em debate e votação, assim como o voto distrital e financiamento de campanhas eleitorais.
Sobre o momento político nacional, crise econômica e corrupção, o deputado Ronaldo Lessa acredita que a economia vai se recuperar e, apurada a corrupção, os culpados punidos, o cenário mudará positivamente a favor do governo.
Só não sabe prever quando isso virá a acontecer.
