O primo do jovem Davi da Silva, que desapareceu após uma abordagem da Polícia Militar no bairro do Benedito Bentes, cobrou do Governo, na sessão especial da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia Legislativa do Estado, uma resposta para o caso. “Davi era um jovem de boa conduta. Será que se fosse filho de algum representante do poder público o fato ficaria impune?”, questionou.

De acordo com Magno da Silva, foram realizadas várias manifestações de moradores do Conjunto Frei Damião, após o desaparecimento. ”Esses protestos que aconteceram foram reprimidos pela tropa de choque”, disse ele, afirmando que uma criança foi atingida com uma bala de borracha durante o ato.

Ele diz não concordar com o pronunciamento do secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, onde afirmou que os pobres e ricos são tratados da mesma maneira. “Vários deputados na Assembleia Legislativa são acusados de crimes, mas nem por isso são alvos de violência protagonizada pela Polícia”, frisou.

Magno da Silva ainda repercutiu uma notícia publicada pelo Blog do Bernardino, no Cadaminuto, onde o secretário Alfredo Gaspar declarou que bandido em Alagoas tem dois caminhos: ou se entrega ou morre. “A pena de morte já foi sancionada no Estado ou no Brasil?”, indagou, em tom de repúdio. 

O caso - Davi da Silva desapareceu no dia 25 de agosto de 2014, após uma abordagem da Radiopatrulha no Benedito Bentes. Desde então, a família iniciou uma série de cobranças e denúncias contra a Polícia Militar.

Neste período, outro caso chamou atenção. A mãe de Davi, Maria José da Silva, foi baleada na cabeça de forma misteriosa, numa ação criminosa que vitimou um morador de rua no Centro de Maceió.

O desaparecimento do jovem ainda desencadeou outro ato de manifesto, quando a Ordem dos Advogados do Brasil iniciou uma contagem de dias do desaparecimento de Davi, além de uma campanha intitulada “Alagoas Quer Saber”, que procurava outros alagoanos desaparecidos e sem informações.

OAB - Em aparte, Daniel Pereira, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, criticou com veemência a maneira da abordagem realizada pela Polícia com os jovens.

Ele citou o caso do jovem Davi da Silva. “Comparado a outros fatos o processo andou. Os responsáveis pelo crime foram apontados e denunciadas pelo Ministério Público. “Infelizmente, o corpo não apareceu. “É uma ferida que não pode ser fechada”.

Daniel Pereira relembra um caso que aconteceu este ano, onde dois jovens que estavam em via pública foram confundidos com ladrões de celular. “Eles foram agredidos e um foi colocado dentro de uma lixeira de ferro. Depois disso, não houve nenhuma indenização, tampouco um pedido de desculpas por parte do Governo”, lamentou. 

*