O tempo parece ter parado na Secretaria de Educação de Alagoas, desde que as bombas da Polícia Militar estouraram diante de estudantes da rede estadual de ensino, crianças e adolescentes que protestaram, em fevereiro, contra a paralisação do transporte escolar em frente ao Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), em Maceió. Depois de tropeçar na realidade, ao tentar implantar o passe livre, a toque de caixa e sem planejamento, o governador Renan Filho (PMDB) e o secretário e vice-governador Luciano Barbosa (PMDB) ainda não têm a menor noção de como será repactuado o contrato com os transportadores escolares de Maceió.

Com salas de aulas esvaziadas pelas dificuldades das famílias mais pobres de pagar pelo transporte de seus filhos, os estudantes voltaram a protestar nesta quarta-feira (13), contra o descaso. Diante do problema, a assessoria da pasta administrada pelo gestor considerado “técnico mais competente do governo de Renan Filho” afirma que o único posicionamento oficial é de que há uma previsão de pagar a primeira parcela do débito com os transportadores escolares até a próxima sexta-feira (15).

O absurdo é que as cifras do débito que se estende até o quinto mês de governo ainda são desconhecidas da sociedade. Desconhecida pode não ser a palavra mais objetiva para traduzir o que acontece, já que a própria pasta da Educação anunciou, em março, ter prorrogado emergencialmente o contrato para atender estudantes da rede estadual, sem divulgar valores.

Agora, outra informação oficial da assessoria da pasta administrada por Luciano Barbosa dá conta de que o governo de Renan Filho “está analisando a homologação do novo contrato”. Ou seja, nada de efetivo foi feito desde quando o problema explodiu em fevereiro. De significativo, uma escola em tempo integral implantada no Benedito Bentes. Só uma. Um modelo.

Como argumento para o atraso, o “supertécnico” do governo peemedebista chegou a culpar o atraso na votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015, que ele mesmo, como coordenador da Equipe de Transição de Governo, em 2014, articulou a não apreciação durante o governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB), para que o governador Renan Filho pudesse ajustar o Orçamento aos projetos da nova gestão. Ajustes feitos sem a agilidade necessária para evitar os problemas vividos hoje, por estudantes e famílias pobres da capital.

Alunos vão estudar por conta própria após suspensão do transporte escolar (Foto: Davi Soares)

 

Currículo para quê?

Quem sabe é o momento de o ex-ministro da Integração Nacional do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso e ex-prefeito de Arapiraca por dois mandatos utilizar a experiência para iniciar uma gestão mais eficaz. Porque, até agora, nada do que foi feito se parece com a “revolução” prometida. Muito pelo contrário.

E, infelizmente, já é hora de parar de culpar o passado. Porque os atuais gestores já estão fazendo parte deste passado. Que a tragédia do presente seja breve. Do contrário, salas de aula continuarão vazias, na capital alagoana.

O Blog tentou contato com o secretário por telefone e por mensagem via Whatsapp.