Tem gente que acredita que a melhor defesa é mesmo o ataque. Ontem, o senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na Operação Lava Jato, a que apura o esquema de corrupção na Petrobras, protocolou o pedido de impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

As justificativas de Collor são quatro:

- Janot teria agido sem critérios na abertura de processos contra investigados da Operação Lava-Jato, selecionando “como bem entende” os que responderão a ação penal e “permanecendo inerte” diante de acusações contra outros suspeitos.

- Abuso de poder, por ter requerido busca e apreensão no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – que também é listado como investigado da Lava-Jato. A ação da Polícia Federal dentro das dependências do Congresso, segundo Collor, é uma violação ao princípio da separação dos poderes.

- Autopromoção de Janot, por ter “transformado sua segurança pessoal em um espetáculo de mídia” durante uma visita à cidade de Uberlândia e por ter recebido manifestantes contrários ao governo federal e posado para fotos com eles durante um ato na frente do prédio da Procuradoria.

-Desperdício de dinheiro público. Collor alega que membros do Ministério Público têm feito uso de passagens e diárias de forma abusiva, “tudo autorizado expressamente pelo procurador-geral da República”.

Collor também pede que a Mesa Diretora do Senado forme comissão especial para analisar a admissibilidade das denúncias.

E espera solidariedade da Casa.

Afinal, ele não é o único senador investigado pela Procuradoria Geral da República. Aqui em Alagoas, os três senadores estão na mesma situação: Collor, Benedito de Lira (PP) e Renan Calheiros (PMDB).

O que ninguém pode desconsiderar é que graças à Lava Jato e à postura do Ministério Público Federal, a Petrobras recuperou parte do dinheiro que lhe foi roubado, tem empresários presos e políticos investigados e indiciados no esquema de corrupção da estatal.

Talvez, esses políticos investigarem agora o procurador Janot pelos argumentos apresentados por Collor, seja um tiro no pé.

No pé dos investigados, obviamente.

Caso alguma das denúncias de Collor seja acatada, o Senado deverá fazer diligências e emitir parecer. A decisão final cabe ao Plenário.

(Com Agência Senado)