Os políticos estão sempre se revezando no poder. Quando estão sem mandato fazem de tudo para tê-lo e quando o têm fazem de tudo para não perdê-lo. Eis o jogo do poder. Não é por acaso que o novo governante atribui suas falhas aos que o precederam. “Rei posto é rei morto”. A história é contada pelos vencedores.

Agora que Renan Filho é o governador, os erros do passado poderiam ser invocados, como o foram durante as eleições, para justificar as faltas do presente, as demoras, os erros e carências. Mas não é bem isso o que anda acontecendo. Excetuando os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e que já eram apontados pelo ex-governador, o atual não tem tido muito do que reclamar.

Os mais alarmantes números de homicídios do país foram o maior calo da gestão de Teotônio Vilela. O Programa Federal Brasil Mais Seguro não funcionou como deveria, mas ao final de sua gestão os números vinham em queda. "Segundo dados apresentados, em 2011, o número de homicídios por 100 mil habitantes era 75 e em 2013 caiu para 64,9. Neste ano a projeção é de queda para 61,8. Fizemos parceria com o Ministério Público e Polícia Federal", disse Vilela no balanço de seus oito anos de governo.

Até aqui, segundo o atual secretário da Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, “140 vidas foram preservada”. Enquanto em 2013, por dia, em média, morreu 6,20, em 2014 foram 6,02, e neste ano, nos três primeiros meses, a média foi de 5,67 por dia. Números. Não refletem a dor das famílias que perdem um ente querido e nem o quanto essas mortes repercutem no crescimento do estado. A verdade é que tem morrido menos alagoanos.

Com menos de cem dias de mandato, o novo governador já havia conseguido inaugurar a primeira escola em tempo integral do estado. O bairro escolhido foi o Benedito Bentes, o mais populoso da capital Maceió. A inauguração poderia ser mérito exclusivo da atual gestão, mas Vilela – o ex, o “posto” – já havia deixado tudo encaminhado. No apagar das luzes de seu governo, Vilela ainda estava entregando escolas. Duas delas no Benedito Bentes.

Na Secretaria de Estado do Trabalho e Emprego, as comemorações se dão em face do “Ônibus do Trabalho e Emprego” que até o final do ano passado se chamava “Sine Alagoas Móvel”. Repaginada que não mudou os serviços ofertados pelo aparelho. “O Ônibus do Trabalho e Emprego oferece os serviços de emissão de Carteira de Trabalho, habilitação ao seguro-desemprego, captação de vagas, intermediação de mão de obra e qualificação social e profissional”.

Enquanto no dia do trabalhador de 2014: “os serviços do Sine Alagoas Móvel, um ônibus itinerante produzido pela Athos Brasil, que presta [prestava] atendimento ao trabalhador que necessita [necessitasse] dar entrada no Seguro-Desemprego, retirar Carteira de Trabalho ou fazer seu cadastro no Sistema Nacional de Emprego, o Sine”. Bem parecido!

Ponto interessante é o da Saúde em Alagoas. Vilela, quando saiu, alardeou a entrega de nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), até março deste ano, quatro ainda permaneciam fechadas. Ainda estaria faltando aporte financeiro do estado? Talvez dinheiro que só pode ser usado depois que o Orçamento foi aprovado pela ALE, recentemente. Mas que a ALE demorou tanto com a anuência do próprio governo atual.

Não bastassem tantos casos de continuísmo (ou seria casuísmo?). A coluna Labafero, do CadaMinuto Press, edição 81, trouxe a coincidência entre os slogans tucano e do atual governo de Alagoas. Quando Julio Cézar foi candidato ao cargo que hoje é exercido por Renan Filho, seu slogan foi “Do jeito certo a gente chega lá”. Hoje, o slogan do governo do estado é “Trabalhando sério a gente chega lá”. Trabalhando sério é o jeito certo, né?!