O deputado Tarcizo Freire (PSD), cujo partido integra a base aliada do governo Dilma Rousseff, deu início a um longo debate na tarde desta terça-feira, 12, na Assembleia Legislativa (ALE), ao usar a tribuna para criticar o Partido dos Trabalhadores (PT). As críticas sobraram inclusive para os parlamentares do PSDB que, segundo Freire, não se movimentam nacionalmente para defender o Brasil.
“Hoje acredito que sociedade brasileira se arrependeu de ter votado em Dilma. Ela mentiu tanto para se reeleger, mas terminou ganhando e o PT se revelou um partido podre, antiético, baseado na corrupção e usura do poder, sem se preocupar com o povo. Com discurso mentiroso, de um cinismo doentio, o PT posa de bom moço e salvador da Pátria, mas como cupins raivosos, está destruindo os cofres e o orgulho do povo brasileiro”, desabafou o parlamentar arapiraquense.
Tarcizo Freire também lamentou que a conta dos “desmandos do governo petista” esteja sendo paga pelo povo, no aumento da conta de energia elétrica, da água, combustíveis, alimentos e impostos. “O brasileiro está acordando de um pesadelo que é o governo PT. O PT está acabando com o nosso País e se o Brasil não acordar, não sobrará pedra sobre pedra. Vão levar tudo”, frisou.
PSD satisfeito
Em aparte, o líder do governo na Casa, Ronaldo Medeiros (PT) disse estranhar o pronunciamento do colega, já que Gilberto Kassab (PSD), líder do partido de Tarcizo, integra a base aliada do governo federal “usufruindo dos cargos e da influência”. Medeiros lembrou ainda que também pesam contra Kassab várias denúncias e que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a instauração de inquérito para investigá-lo.
“Não foi o PT que instituiu a corrupção, mas agora ela aparece porque a Polícia Federal é autônoma. Autoridades que nunca passaram na porta de uma cadeia estão sendo presas. A corrupção é endêmica, não tem um partido que seja culpado ou inocente, porque partidos são formados por pessoas... Jogar pedra é fácil no telhado do outro”, destacou.
Também em aparte, o deputado Dudu Hollanda (PSD) fez questão de explicar que Tarcizo Freire usava a tribuna por conta própria e não falava em nome do partido. “O PSD e Kassab fazem parte da base aliada do governo federal. Estamos confortáveis no governo da presidente Dilma. Quero colocar que Tarcizo tem sua liberdade de expressão, mas não fala em nome do partido para direcionar críticas ao governo. Estamos satisfeitos com o governo da presidente Dilma”, frisou o parlamentar, comemorando o fato de o partido comandar um Ministério “que vale por quatro”, o das Cidades, e o Ministério da Micro e Pequena empresa.
Em resposta, o deputado arapiraquense confirmou que falava por conta própria, sem nenhuma orientação partidária, e cobrou que a Casa discutisse temas mais relevantes como o que ele trouxe ao plenário, ao invés de ficar falando apenas sobre “17ª Vara Criminal, voto aberto ou fechado ou Passe Livre”.
“O PT é muito organizado. Se tivesse outro partido tão organizado quanto, Dilma já estava fora. Dilma já fez, Lula já fez, o PT pintou e bordou e não acontece nada, porque eles são organizados. É uma pena que outros partidos não tenham a legião que vocês têm”, finalizou se dirigindo a Ronaldo Medeiros.
Inerente
Vários parlamentares opinaram sobre o tema, entre eles Gilvan Barros Filho (PSDB), que chamou a atenção também para o fato de os brasileiros, entre eles os produtores rurais e empresários, estão pagando a conta da corrupção.
Já Galba Novaes (PRB) fez um “balanço” das conquistas obtidas no governo do ex-presidente Lula e um histórico da corrupção no País, desde antes da ditadura: “A roubalheira faz parte da índole do ser humano”.
Ricardo Nezinho (PMDB) criticou o que considerou uma disputa inócua de “torcidas” entre petistas e anti-petistas, “um pastoril, onde de um lado está o azul e do outro o vermelho”. “Há pessoas sérias no PT e há pessoas corruptas. Há sérios e corruptos em todos os partidos... Em todas as cores partidárias”, pontuou.
Edval Gaia (PSDB) concluiu afirmando que é necessário parar de comparar os governos, já que há méritos nas gestões de FHC, Lula e no primeiro mandato de Dilma e assumir que, com sua reeleição, a presidente “quebrou o País”.
