“Meu nome é Merillane, tenho 20 anos. Minha mãe é cozinheira e meu pai está com benefício devido problemas de saúde, uma cirurgia”. Assim começou o relato de Meri, como gosta de ser chamada a estudante de Design, que precisará abandonar o curso porque não conseguiu se inscrever no programa de financiamento estudantil do governo federal.
Meri contou à reportagem que tentou por várias semanas se inscrever no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) através do seu portal oficial, mas o sistema não era liberado. Por causa da demora, a instituição de ensino privado que Meri estuda adotou uma sistemática diferente para que estes alunos, interessados em seus cursos, mas com problemas com o financiamento, pudessem iniciar os estudos e posteriormente atualizar o pagamento das mensalidades.
“Algumas semanas depois o portal reabriu e começaram as inscrições, mas não era fácil. Tentava me inscrever e não conseguia por causa dos muitos acessos. Então, passei a passar as madrugadas tentando. Isso levou dois meses”, revelou Meri.
Até que, enfim, a estudante conseguiu se inscrever e acreditava que estava tudo em ordem, até que, uma semana antes do fim do prazo, Meri descobriu que “havia algo errado no papel”. “Mais uma madrugada em claro tentando consertar o erro através do site, até que consegui, mas o código para finalizar não chegou e depois de três tentativas, o meu acesso foi bloqueado”, finalizou Meri, que perdeu suas esperanças de conseguir concluir o curso de Design.
Sensibilizada com casos como o de Meri, a instituição de ensino superior não vai cobrar pelas mensalidades de mais R$ 700 e concordou que a matrícula fosse cancelada sem ônus para a estudante. Agora? “Fazer cursos ligados a minha área e procurar um emprego para benefício do curso”, resignou-se Meri.
Há diversos outros casos como os de Meri. Em Arapiraca, a reportagem do CadaMinuto Press encontrou um pai desesperado para manter a filha numa faculdade particular em Maceió. Pai e filha não quiseram que seus nomes fossem publicados, por isso os nomes a seguir são fictícios.
Vender carro ou fazer empréstimo a juros maiores?
Cristina é natural de Arapiraca e tem 19 anos, terminou o ensino médio há um ano e, enfim, passou no curso de psicologia de uma universidade particular na capital. Para realizar o sonho da filha, o pai tem feito muito esforço para custear a permanência da menina em Maceió. Na casa de uma prima, “de favor”, Cristina apostou no programa de financiamento do governo federal para conseguir pagar a mensalidade de R$ 634,00.
No entanto o sonho virou pesadelo. Primeiro, o sistema que não funcionava e não deixava que ela se inscrevesse no programa federal. Depois, a notícia de que sua nota não era suficiente para conseguir o financiamento. Até ano passado, a nota não era requisito para obtenção de financiamento estudantil.
Leia a matéria completa na edição do CadaMinuto Press desta semana já nas bancas.
* Colaboradora